A escalada nas relações diplomáticas entre Brasil e Argentina atingiu um novo patamar neste domingo. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para uma reunião de emergência na sede do Itamaraty, em Brasília. O encontro serviu para formalizar o repúdio veemente do governo brasileiro às declarações recentes do presidente argentino Javier Milei durante sua passagem pelo estado de São Paulo.
O descontentamento oficial foi motivado por ataques diretos desferidos por Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O chefe de Estado argentino participava de um ato político na capital paulista voltado ao lançamento de uma candidatura presidencial quando proferiu ofensas que, na avaliação da diplomacia brasileira, romperam todas as regras de convivência pacífica e respeito institucional entre nações vizinhas.
Em nota oficial, o Itamaraty pontuou a gravidade do episódio ao destacar que não existem precedentes na história recente para que um líder estrangeiro utilize o território nacional com o propósito de ofender o chefe de Estado, as instituições democráticas e a própria população do país anfitrião. No protocolo diplomático, a convocação de um embaixador representa um canal formal de protesto e sinaliza um profundo mal-estar com as ações do governo representado.
Como parte da resposta coordenada pela chancelaria brasileira, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado a retornar ao território nacional para participar de alinhamentos estratégicos nos próximos dias. A movimentação reflete a gravidade com que o Palácio do Itamaraty e o governo federal decidiram tratar o episódio, buscando resguardar a soberania nacional e a honra das instituições democráticas.
A reação institucional não se restringiu ao Poder Executivo. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, manifestou repúdio público às falas direcionadas a Alexandre de Moraes. Por meio de nota oficial divulgada no dia anterior, Fachin classificou as declarações como manifestações incompatíveis com a civilidade que deve reger os laços entre países soberanos, reafirmando a independência e a integridade do sistema de justiça brasileiro diante de ingerências externas.
