Revista Poder

Futebol brasileiro adota novas regras para reduzir paralisações nos jogos

CBF e clubes das Séries A e B aprovam mudanças imediatas na arbitragem; estimativa é acrescentar cerca de seis minutos de bola rolando por partida

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O futebol brasileiro passa a adotar novas medidas para tentar reduzir as interrupções durante as partidas. A CBF e representantes dos clubes das Séries A e B aprovaram, nesta segunda-feira, 10 de agosto, um conjunto de regras que altera desde o tempo permitido para reposições de bola até a atuação do VAR.

As mudanças entram em vigor imediatamente nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro masculino, na Série A1 feminina e na Copa do Brasil. Apenas uma delas, relacionada à revisão de escanteios concedidos de forma equivocada, começa a valer em 2027.

A iniciativa segue determinações da International Football Association Board, responsável pelas regras do futebol. Parte das medidas já foi utilizada na última Copa do Mundo.

O principal objetivo é aumentar o tempo efetivo de jogo. Antes da pausa para o Mundial, a Série A registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida. A Fifa trabalha com uma meta mínima de 60 minutos.

Segundo estudo da Opta apresentado pela CBF, as novas medidas podem acrescentar 5 minutos e 49 segundos ao tempo de jogo, com potencial de chegar a 6 minutos e 22 segundos.

“Nosso trabalho é transformar esse diagnóstico em ações concretas. Isso passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros, mas também depende da participação dos clubes e dos jogadores. O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.

O que muda nas partidas

Entre as principais novidades está o limite de oito segundos para que o goleiro permaneça com a bola nas mãos. Caso ultrapasse esse período, a equipe adversária terá direito a um escanteio.

Os arremessos laterais também passam a ter limite de cinco segundos. Se o jogador demorar além desse tempo, a posse será invertida e a cobrança ficará com o adversário.

No tiro de meta, o goleiro terá cinco segundos para colocar a bola em jogo após o apito do árbitro. O atraso também poderá resultar em escanteio para o outro time.

As substituições entram no pacote de mudanças. O jogador que estiver deixando o campo terá dez segundos para sair. Caso demore mais, seu substituto precisará esperar um minuto antes de entrar.

Atendimento médico e contato com o árbitro

Jogadores atendidos dentro de campo terão de permanecer fora por pelo menos um minuto após a retomada da partida.

Se o atendimento for ao goleiro, o treinador ou capitão deverá indicar um atleta de linha para cumprir esse período fora do gramado.

Outra mudança restringe o diálogo com a arbitragem. Apenas o capitão poderá falar diretamente com o árbitro. Quando o capitão for o goleiro, a equipe deverá indicar um jogador de linha para exercer essa função. Quem descumprir a determinação poderá receber cartão amarelo.

VAR ganha novas possibilidades de revisão

O chamado “Protocolo Vini Jr.” também passa a integrar as regras. O jogador que cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com um adversário para impedir a leitura labial poderá ser expulso, independentemente do conteúdo da conversa.

O VAR também poderá revisar um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão. Caso seja identificado um erro, a advertência poderá ser anulada.

A partir de 2027, haverá ainda a possibilidade de checagem de escanteios marcados incorretamente quando a cobrança resultar diretamente em gol ou em um pênalti.

Com o novo conjunto de medidas, a CBF busca aproximar o futebol nacional dos índices de tempo efetivo registrados em algumas das principais ligas europeias. França e Alemanha, por exemplo, apresentam média de 56 minutos e 17 segundos de bola rolando por partida.

 

Fonte: Agencia Brasil

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