Revista Poder

Meta aposta em IA mais enxuta para ampliar alcance de sua tecnologia

Novo Muse Glimmer foi desenvolvido para funcionar com menos poder computacional e reforça a estratégia da empresa em um mercado pressionado por rivais chineses

Foto Reprodução Instagram

A corrida pela inteligência artificial não está acontecendo apenas em torno de modelos cada vez maiores. A Meta agora aposta também em uma solução mais enxuta, pensada para ampliar o acesso à tecnologia e permitir seu uso com uma infraestrutura menos robusta.

Apresentado nesta segunda-feira, 10 de agosto, o Muse Glimmer tem 30 bilhões de parâmetros e foi desenvolvido para funcionar com apenas uma placa de vídeo. Na prática, isso permite que o modelo seja executado em um único computador, segundo a companhia.

A novidade deriva do Muse Spark 1.2 e deve ser usada principalmente em tarefas realizadas por agentes de inteligência artificial. Entre os exemplos estão organização de arquivos e gerenciamento de agendas.

Outro ponto da estratégia é a possibilidade de adaptação do sistema por desenvolvedores. A Meta pretende disponibilizar elementos do modelo na plataforma Hugging Face sob uma licença permissiva. A empresa planeja fazer o mesmo, posteriormente, com uma versão mais potente do Muse Spark.

Pressão vinda da China

A escolha por um modelo mais aberto e de menor exigência computacional acontece em um cenário de forte competição internacional.

Empresas chinesas como DeepSeek, Moonshot e Alibaba vêm ampliando sua presença no setor com tecnologias que facilitam o acesso de desenvolvedores e estimulam a adoção de seus sistemas.

Para a Meta, ganhar escala também significa criar um ecossistema capaz de justificar os investimentos feitos nos últimos anos em inteligência artificial.

Meta, Amazon, Alphabet e Microsoft, juntas, já comprometeram mais de US$ 2 trilhões para ampliar estruturas ligadas à tecnologia, segundo a Bloomberg. Nesse pacote entram centros de dados, equipamentos e capacidade de processamento.

Da IA ao negócio de nuvem

Os planos da Meta vão além do desenvolvimento de modelos.

A empresa também estuda entrar de forma mais direta no mercado de infraestrutura em nuvem, oferecendo capacidade computacional e acesso a sistemas de inteligência artificial. A estratégia colocaria a companhia em uma área já explorada por gigantes como a Amazon, por meio da AWS.

Ao mesmo tempo, o crescimento dessa infraestrutura traz outros desafios. Grandes centros de dados exigem volumes elevados de energia e outros recursos, o que tem provocado resistência em algumas comunidades nos Estados Unidos.

Diante desse cenário, a Meta anunciou também a intenção de criar um fundo de US$ 1 bilhão destinado a comunidades norte-americanas onde mantém centros de dados.

Com o Muse Glimmer, a empresa passa a atacar duas frentes ao mesmo tempo: tornar seus modelos mais acessíveis e construir caminhos para transformar a expansão da infraestrutura de IA em negócios de longo prazo.

Fonte: Bloomberg Línea

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