Revista Poder

Ibovespa tem maior queda em cinco meses e dólar volta a subir com pressão eleitoral e externa

Bolsa brasileira recuou 2,50% nesta terça-feira e fechou aos 167.875 pontos, enquanto o dólar avançou 0,98%, em um pregão marcado por incertezas sobre juros, eleições e o cenário internacional

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte aversão ao risco nesta terça-feira (11). O Ibovespa caiu 2,50%, aos 167.875 pontos, registrando o pior desempenho diário desde março. O dólar comercial, por sua vez, avançou 0,98% e encerrou a sessão cotado a R$ 5,1606.

A pressão sobre os ativos brasileiros veio principalmente das incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e às perspectivas para a política monetária. A avaliação de investidores também foi influenciada pelo ambiente externo, especialmente pelas indefinições envolvendo o conflito no Oriente Médio e o futuro do Estreito de Ormuz.

A queda do Ibovespa foi a mais intensa desde 12 de março, quando o principal índice da Bolsa brasileira havia recuado 2,55%.

Incertezas sobre juros aumentam cautela

A política monetária esteve entre os principais pontos de atenção dos investidores. O Banco Central divulgou nesta terça-feira a ata da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.

No documento, o BC afirmou que poderá reagir de maneira firme caso a volatilidade dos preços do petróleo provoque impactos relevantes sobre a inflação brasileira.

O mercado também avaliou os dados mais recentes de preços. O IPCA registrou alta de 0,07% em julho, abaixo do avanço de 0,16% observado no mês anterior. Com o resultado, a inflação voltou a ficar dentro do limite superior da meta, embora ainda permaneça acima do centro de 3%.

A possibilidade de uma desaceleração no ritmo de cortes dos juros também pesa sobre as expectativas para a Bolsa. Taxas menores costumam favorecer ativos de maior risco ao reduzir o custo de financiamento e aumentar a atratividade relativa das ações.

Eleições entram no radar dos investidores

O ambiente político brasileiro ganhou peso adicional no pregão. Um relatório do JPMorgan reduziu a recomendação para as ações brasileiras de “acima da média” para “neutra”, refletindo uma avaliação mais cautelosa sobre o desempenho do mercado.

Entre os fatores considerados estão as incertezas sobre o ciclo de redução da Selic e os possíveis efeitos das eleições de outubro sobre os ativos financeiros.

O banco também revisou sua estimativa para o Ibovespa ao fim de 2026. A projeção passou de 190 mil para 185 mil pontos.

Segundo avaliação citada no mercado, o aumento da percepção de risco doméstico contribuiu para pressionar simultaneamente a Bolsa, o dólar e os contratos de juros futuros.

Petróleo e conflito no Oriente Médio

O cenário internacional acrescentou uma nova camada de preocupação. As negociações envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz continuam sem uma definição, mantendo os investidores atentos aos possíveis impactos sobre o mercado global de energia.

A passagem marítima é uma das principais rotas para o transporte internacional de petróleo e concentra cerca de 20% do comércio mundial da commodity.

O Irã apresentou uma série de condições para permitir a retomada da navegação pelo estreito, incluindo a suspensão de sanções e do bloqueio naval dos Estados Unidos, a retirada de tropas americanas da região, a liberação de ativos iranianos congelados e o pagamento de indenizações.

As divergências entre Teerã e Washington aumentaram as dúvidas sobre uma solução rápida. Diante desse cenário, os preços do petróleo voltaram a oscilar.

O barril do Brent subiu 1,39%, para US$ 88,94, enquanto o WTI avançou 1,16%, para US$ 83,08.

A alta do petróleo também é acompanhada de perto pelo Banco Central brasileiro, diante do potencial impacto dos combustíveis sobre a inflação.

Tarifa dos EUA também influencia mercado

Os investidores brasileiros continuam acompanhando os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais.

Nesta terça-feira, a ApexBrasil apresentou uma estratégia para ampliar a presença de empresas brasileiras em outros mercados e reduzir a concentração das exportações em destinos atingidos pelas novas barreiras comerciais.

A iniciativa tem como foco setores afetados pelas tarifas e prevê maior esforço de diversificação das vendas externas, com mercados como Canadá, Alemanha e China entre os alvos.

Mercados internacionais

O movimento de cautela também apareceu nas bolsas internacionais.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,35%, aos 53.787,57 pontos. O S&P 500 recuou 0,33%, para 7.727,79 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perdeu 0,60%, aos 26.445 pontos.

Na Europa, o desempenho foi misto. O STOXX 600 terminou praticamente estável, aos 660,51 pontos. O DAX alemão avançou 0,26%, enquanto o CAC 40 francês caiu 0,13% e o FTSE 100 britânico recuou 0,17%.

Na Ásia, as principais bolsas chinesas também fecharam em baixa, diante das dúvidas sobre o conflito no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz. O CSI 300 e o índice de Xangai recuaram 0,8%, enquanto o Hang Seng caiu 1,1%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,73%. A Bolsa do Japão permaneceu fechada.

Desempenho no ano

Com o resultado desta terça-feira, o Ibovespa acumula queda de 2,77% na semana e de 5,77% em agosto. Apesar da piora recente, o índice ainda registra alta de 6,86% no acumulado de 2026.

O dólar, por sua vez, acumula valorização de 1,52% na semana e de 1,80% no mês. No ano, porém, a moeda americana ainda apresenta queda de 5,98% frente ao real.

O pregão reforçou a sensibilidade dos mercados brasileiros às mudanças nas expectativas para os juros, às incertezas eleitorais e aos acontecimentos no exterior. A combinação desses fatores deve continuar no radar dos investidores nas próximas sessões.

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