O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que o governo de Donald Trump tenha elaborado uma estratégia para impedir a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de outubro. Em declaração ao g1 nesta quinta-feira (13), uma autoridade do órgão afirmou que Washington respeitará o resultado do processo eleitoral brasileiro.
Segundo a fonte, os Estados Unidos dão importância à relação bilateral e reconhecem a legitimidade de qualquer governo escolhido pelos brasileiros em eleições consideradas livres e justas.
A declaração foi dada após integrantes do governo Lula avaliarem que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, estaria articulando uma estratégia para dificultar a permanência do petista no Palácio do Planalto.
A suspeita ganhou força entre assessores do presidente brasileiro após a divulgação de um vídeo pelo governo Trump que afirma que o domínio dos Estados Unidos sobre o continente americano não voltará a ser questionado. A mensagem foi interpretada no Planalto como parte de uma política mais ampla de Washington para ampliar sua influência no Hemisfério Ocidental.
Relação entre Brasil e EUA passa por período de tensão
A divergência ocorre em meio a uma deterioração das relações entre os governos brasileiro e americano. Nos últimos meses, os dois países entraram em rota de colisão em temas comerciais, diplomáticos e políticos.
Entre os episódios que aumentaram a tensão estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e medidas adotadas contra autoridades do país. Também houve manifestações políticas de integrantes do governo Trump e de parlamentares americanos envolvendo Lula e instituições brasileiras.
A publicação de uma montagem que mostrava o presidente brasileiro em uma situação de prisão ampliou o desgaste. O episódio ocorreu em meio à ofensiva de Washington sobre a América Latina e à tentativa do governo americano de ampliar sua influência na região.
Outro ponto de atrito envolve Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Medidas adotadas pelo governo americano contra autoridades brasileiras passaram a integrar a lista de conflitos que pressionam a relação bilateral.
Rubio ganha protagonismo na política para a América Latina
Marco Rubio ocupa posição central na política externa do segundo governo Trump e tem participado da formulação de uma estratégia americana mais assertiva para o continente.
O secretário defende uma maior aproximação dos países latino-americanos com Washington e uma redução da presença de potências como China e Rússia na região. A estratégia recupera elementos da tradicional política americana para o Hemisfério Ocidental, embora o governo Trump tenha apresentado uma abordagem mais abrangente sobre influência econômica, diplomática e de segurança.
Rubio também já protagonizou embates públicos com Lula. Declarações trocadas entre os dois aumentaram a percepção de que a relação entre Brasília e Washington atravessa uma das fases mais delicadas dos últimos anos.
Para integrantes do governo brasileiro, o comportamento americano precisa ser observado também sob a perspectiva das eleições. O Brasil é atualmente uma das principais economias da região governadas por uma força política de esquerda, em um continente onde governos mais alinhados a Washington ganharam espaço.
Governo americano diz que respeitará resultado das urnas
Apesar das suspeitas manifestadas por integrantes do governo Lula, o Departamento de Estado rejeita a existência de uma operação para influenciar diretamente a eleição brasileira.
A autoridade americana consultada afirmou que os Estados Unidos mantêm relações com governos de diferentes orientações políticas e que respeitarão a escolha feita pelos eleitores brasileiros.
A referência a eleições livres e justas, porém, ocorre em um contexto de crescente disputa diplomática entre os dois países. O governo brasileiro sustenta a segurança e a confiabilidade do sistema eleitoral, enquanto o TSE é responsável pela organização e fiscalização do processo.
Com a aproximação da eleição presidencial, marcada para outubro, eventuais manifestações de Washington deverão ser acompanhadas com atenção pelo governo brasileiro. A disputa eleitoral ocorre, portanto, em paralelo a uma negociação mais ampla sobre comércio, influência regional e os limites da relação entre os dois países.
Por enquanto, não há confirmação pública de que o governo Trump tenha um plano formal para impedir a reeleição de Lula. O que existe é uma combinação de desconfiança dentro do governo brasileiro, declarações mais duras de autoridades americanas e uma relação bilateral marcada por sucessivos pontos de conflito.
