Hapvida prepara novo ciclo com visão de médio e longo prazo

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A Hapvida está estruturando uma nova etapa de sua trajetória com uma estratégia voltada ao médio e longo prazo. A companhia reconhece que o processo de transformação exige tempo, mas aposta em uma combinação de disciplina financeira, eficiência operacional, fortalecimento comercial e melhoria da experiência dos beneficiários.

Durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, realizada nesta quinta-feira (13), o CEO Luccas Adib reforçou que o objetivo é construir uma operação mais sustentável e previsível ao longo dos próximos trimestres.

A nova administração assumiu a companhia com três prioridades principais: recuperação de margens, geração de caixa e redução da alavancagem.

A remuneração da gestão também passou a estar vinculada a indicadores relacionados a esses objetivos, além da melhoria da experiência dos beneficiários.

Resultado e transformação

No segundo trimestre, a Hapvida registrou receita líquida de R$ 7,97 bilhões, alta de 3,9%. O tíquete médio mensal avançou 5,7%, chegando a R$ 305,90.

A companhia encerrou junho com 8,67 milhões de beneficiários.

Embora o período tenha sido marcado por pressão sobre as margens, a administração destaca sinais de evolução comercial em mercados importantes.

Na região metropolitana de São Paulo, as adições líquidas de beneficiários permanecem positivas há cinco meses. No Rio de Janeiro, o saldo é positivo há dois meses.

A companhia pretende ampliar esse movimento para outras regiões e para o segmento corporativo.

Plano de transformação

A estratégia envolve diferentes áreas da operação.

A Hapvida está revisando aproximadamente 947 mil beneficiários sob critérios de rentabilidade e inadimplência. Contratos que apresentem margens negativas poderão ser renegociados ou encerrados, respeitando a legislação e as condições contratuais.

Na rede própria, a empresa prevê a redução de mais de 30 unidades e já racionalizou centenas de leitos ociosos.

Na relação com prestadores, aproximadamente 40% do custo cirúrgico em São Paulo já havia sido empacotado nos últimos 60 dias.

A empresa também revisa contratos administrativos que representam mais de R$ 4 bilhões em gastos anuais.

Crescimento com estratégia

Paralelamente às medidas de eficiência, a Hapvida mantém uma agenda de crescimento.

A empresa pretende levar seu modelo comercial para o interior de São Paulo, Minas Gerais, Sul e outras grandes praças.

A reativação da marca NotreDame Saúde no segmento premium, inicialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, também faz parte dessa estratégia.

A iniciativa amplia o portfólio e cria uma alternativa para consumidores que buscam produtos com posicionamento diferenciado.

Sustentabilidade como prioridade

Para Adib, o momento exige foco na execução e não em resultados imediatos.

“Não é uma trajetória simples e nem linear. A recuperação exige disciplina de planejamento e execução, além de técnica e senso de urgência, sem ansiedade. Temos um diagnóstico claro, um plano em curso e devemos ser cobrados pela execução”, explicou.

Em outra avaliação durante a apresentação, o executivo destacou a importância de priorizar resultados sustentáveis.

“O foco nessa nova fase é organizar todo o fluxo ao longo desse trimestre somado à sustentabilidade. Priorizando o resultado a médio e longo prazo nos próximos trimestres, vamos focar na sustentabilidade e priorizar a recuperação a médio e longo prazo”, afirmou.

A visão também é compartilhada pelo CFO Lucas Garrido.

“São iniciativas implantadas em ondas, que vão amadurecer ao longo dos próximos trimestres e devem começar a mostrar resultados. Seguimos empenhados e confiantes no médio e longo prazo”, afirmou.

A estratégia sinaliza uma mudança de foco para uma gestão cada vez mais orientada por eficiência, dados e sustentabilidade. Com ações simultâneas em diferentes áreas, a Hapvida busca fortalecer seus fundamentos e criar as condições para um novo ciclo de crescimento, com maior previsibilidade e capacidade de geração de valor no longo prazo.