Revista Poder

Raízen avança na separação de negócios após reestruturação de R$ 65 bilhões

Companhia pretende simplificar o portfólio e dividir operações de combustíveis e de açúcar e etanol em duas empresas

Nelson Gomes - Foto Reprodução Internet

A Raízen pretende seguir com a simplificação de seu portfólio enquanto avança no processo de separação de seus principais negócios. A companhia, que recentemente reestruturou uma dívida de R$ 65 bilhões, será dividida em duas empresas: uma voltada à distribuição de combustíveis e outra dedicada à produção de açúcar e etanol.

Durante teleconferência com analistas nesta sexta-feira (14), o CEO da companhia, Nelson Gomes, afirmou que a reorganização deve resultar em estruturas mais enxutas e preparadas para atuar de forma independente em seus respectivos mercados.

“Teremos duas empresas ágeis e eficientes, prontas para competir em seus respectivos mercados”, afirmou.

A reestruturação da dívida foi aprovada pelos credores no início deste ano e confirmada pela Justiça em julho. O processo é considerado a maior reestruturação extrajudicial já realizada no Brasil.

Criada como uma joint venture entre Shell e Cosan, a Raízen atravessa um período de ajustes após enfrentar um cenário marcado por juros elevados, safras mais fracas e decisões estratégicas que pressionaram os resultados.

Resultados mostram desempenhos distintos

Os números mais recentes da companhia também reforçam as diferenças entre as duas frentes de negócio. A operação de distribuição de combustíveis apresentou melhora expressiva no trimestre, enquanto açúcar e etanol continuaram pressionados por fatores como preços e condições climáticas.

A unidade responsável pelos postos Shell no Brasil registrou Ebitda ajustado de R$ 3,54 bilhões, mais de três vezes acima do resultado observado no mesmo período do ano anterior.

Segundo a administração, o desempenho foi favorecido pelos preços mais altos do petróleo e pelo combate a práticas irregulares no mercado de distribuição de combustíveis.

Por outro lado, o segmento sucroenergético enfrentou um ambiente mais desafiador. As vendas de etanol cresceram 24% em volume, mas os preços permaneceram praticamente estáveis. Já os volumes de açúcar recuaram 11% na comparação anual.

Além disso, chuvas fora do padrão e a redução do número de usinas em operação tiveram impacto nos resultados. A Raízen já vendeu cinco unidades como parte da estratégia de redução de dívida.

A companhia ainda não detalhou como será definida a estrutura de capital das duas empresas após a separação. Segundo o diretor financeiro, Lorival Luz, a administração pretende apresentar ao final do processo a estrutura considerada mais adequada para cada operação.

Fonte: Bloomberg Línea

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