Revista Poder

Quem é a família de Ricardo Valadares Gontijo que empresta dinheiro da Caixa Econômica Federal para construir MCMV

Foto: Divulgação

Em um intervalo de 12 meses, as ações da Direcional Engenharia recuaram mais de 26%. Nesse cenário, o conselho administrativo da construtora mineira aprovou, na terça-feira (11), a criação de um novo programa para recomprar até 32 milhões de ações ordinárias. A justificativa apresentada em fato relevante é a busca por maximizar valor aos acionistas a partir de uma administração mais eficiente da estrutura de capital.

A companhia informa ter 327.236.076 papéis emitidos em circulação e 496.216 ações em tesouraria. As eventuais compras e vendas, de acordo com a Direcional, ocorrerão na B3 e seguirão os preços vigentes no mercado.

Os papéis DIRR3 passaram a sofrer maior pressão na bolsa depois da divulgação do balanço do segundo trimestre, feita na segunda-feira. Embora o período de abril a junho tenha mostrado margens esperadas e rentabilidade satisfatória, o mercado identificou aspectos que reduziram o entusiasmo com os números.

Entre eles, o Citi destacou a evolução da margem do backlog, indicador que considera vendas já contratadas e cujos resultados serão reconhecidos progressivamente com o avanço das obras. A taxa, que era de 45,2% no mesmo período do ano passado, ficou em 43,9% nos últimos três meses.

Para os analistas, a queda é relevante porque sinaliza a possibilidade de os projetos que sustentarão os resultados futuros apresentarem margens um pouco menores do que aquelas verificadas nos empreendimentos que hoje sustentam a rentabilidade.

Outro fator citado foi o nível de despesas com vendas, que superou as expectativas em meio ao aumento expressivo de lançamentos. O VGV somou R$ 2,1 bilhões no trimestre, mais de duas vezes o R$ 1 bilhão do período anterior. O resultado financeiro negativo também contribuiu para o desempenho observado.

A fotografia financeira de junho mostrou dívida líquida de R$ 492,3 milhões. No mesmo período de 2025, a empresa registrava caixa positivo. A mudança de posição é apresentada como um ponto de preocupação e de acompanhamento para os trimestres seguintes.

O que é a Direcional Engenharia?

Com atuação de grande porte no mercado imobiliário brasileiro, a Direcional Engenharia está entre as principais incorporadoras e construtoras do país, especialmente no segmento de habitação popular e em projetos vinculados a programas habitacionais financiados pelo poder público. O crescimento consolidou a empresa no setor, mas também a colocou no centro de críticas e controvérsias.

Ao longo dessa trajetória, a companhia passou a figurar em processos judiciais e em reclamações de consumidores que tratam de atrasos, vícios construtivos, cobranças contestadas e conflitos contratuais. A forte presença em políticas públicas de habitação também gera debate a respeito da relação entre grandes construtoras e os mecanismos estatais de financiamento.

A empresa se defende nas ações judiciais das quais participa e mantém atividades de grande escala em diferentes regiões do país. Mesmo assim, a repetição de litígios e críticas repercute em sua imagem e sustenta questionamentos relacionados à qualidade dos empreendimentos, ao pós-venda, à governança corporativa e à responsabilidade empresarial.

Críticos da Direcional associam seu modelo de negócios à expansão acelerada e à busca de escala. Nessa leitura, os ganhos de eficiência operacional teriam convivido com conflitos recorrentes com compradores e com desafios na execução das obras e no atendimento após a entrega.

Quem é Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, herdeiro de 36% das ações da Direcional Engenharia?

À frente da Direcional como CEO e também acionista, Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo participa da trajetória que transformou a companhia em uma das maiores do setor habitacional, sobretudo por sua presença no Minha Casa Minha Vida. Paralelamente, processos, críticas e outros episódios ampliaram os questionamentos sobre sua atuação.

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