Por Jota Ribeiro
O fornecimento de marmitas para empresas terceirizadas contratadas pela Prefeitura de Presidente Kennedy (ES) está no centro de um episódio de agressão envolvendo a servidora pública Gleide Rodrigues e o secretário municipal de Serviços Públicos, Washington Paixão Dias, e sua mulher, Claudiceia Avanci Machado.
Gleide acusa Washington Dias e Claudiceia de agressão física. O secretário nega que tenha tocado na servidora. Em razão das acusações, foi aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta de Washington Dias.
O PAD, por sua vez, já é alvo de polêmica, pois o prefeito Dorlei Fontão passou a ser investigado sob suspeita de ingerência no processo administrativo em favor do secretário. Fontão nega envolvimento.
Neutro
Ao comentar a suspeita de ingerência do prefeito Dorlei Fontão no PAD, Washington saiu em defesa do prefeito e afirmou que ele se mantém neutro.
“O prefeito é muito transparente, muito honesto comigo. Muita coisa… O prefeito está neutro nessa situação, entendeu? O que ele falou é que a Justiça decide. Ela tem que provar o que ela falou para a Justiça, os falsos testemunhos que ela falou. Então, o prefeito está neutro nessa história. O prefeito não quer nem se meter nessa história.”
Troca de ofensas
Para além da troca de acusações e das alegações de agressão, o episódio rendeu um bate-boca por aplicativo de mensagens, no qual Gleide Rodrigues e Claudiceia Machado trocam acusações graves, xingamentos e ameaças. “Puta”, “boquete” e até uma acusação sobre a existência de um “amante” podem ser ouvidos nos áudios (confira abaixo).
O secretário Washington Paixão Dias, em sua defesa, negou que sua esposa tenha vendido marmitas para funcionários públicos. Segundo ele, o negócio sempre foi de natureza privada, com clientes como pedreiros e trabalhadores rurais.
“Não é funcionário das prefeituras, não, rapaz. Era empresa terceirizada. Nunca foi vendida nenhuma marmita para funcionário nenhum, não”, afirmou em um dos áudios.
Washington detalhou que a empresa de Claudiceia vendia marmitas para “pedreiro, que ia lá, comprava quatro, cinco por dia, plantador de cana” e empresas terceirizadas, mas reforçou: “Nunca funcionário nenhum, não. Para empresas terceirizadas que prestavam serviço para a prefeitura, sim. Agora, funcionário, não.”
O secretário também negou a existência de contrato direto com o município.
“Nunca teve contrato direto com prefeitura nenhuma, não. Eu nunca deixei ela vender direto pra prefeitura nem nada, não. Sempre era contrato terceirizado que ela tinha. Por exemplo, como qualquer um podia vender.”
O secretário afirmou que a empresa Patamar — uma das empresas com contratos milionários com a prefeitura — era atendida por sua esposa, mas que, após ela deixar de fornecer as marmitas, quem passou a vender foi Gleide.
“É igual hoje, a dona Grade [Gleide], que acusou a minha esposa, hoje é ela que vende. Minha esposa não mexe mais com isso. Então, quem vende hoje praticamente todas as marmitas lá, os contratos com a prefeitura, o asfalto lá que está fazendo, é a dona Grade que vende também em empresas terceirizadas”, disse.
Ele também atribuiu a motivação da servidora a uma tentativa de atacar sua imagem por ele ser funcionário público, enquanto ela não poderia atingir diretamente sua esposa.
“Ela… Eu fui parar porque ela não poderia bater, falar nada com a minha esposa. Então, ela falava de mim porque eu era funcionário público. Ela falava de mim porque ela não poderia falar de uma pessoa autônoma. Aí ela escolheu eu para Cristo para bater”, justificou.
Washington ainda mencionou a existência de uma investigação relacionada à posse ilegal de arma para justificar, segundo ele, supostas acusações contra si. Afirmou que o caso já foi resolvido.
“Na verdade, foi provado, já acabou esse processo e tudo, que eu vendi um carro que eu tinha, um Civic SI 2015, por 172 mil, e eu fui lá buscar o dinheiro com o rapaz, e uns amigos foram comigo, e tinha um revólver dentro do carro. Só que quem assumiu que o revólver… Eu assumi que o revólver era meu. Só por isso que nós fomos detidos, foi detido. Mas já foi resolvido.”
