A abertura de capital da SpaceX trouxe à tona um grupo de investidores que normalmente mantém suas movimentações longe dos holofotes. Family offices responsáveis pela administração de algumas das maiores fortunas do mundo declararam posições que, juntas, alcançavam pelo menos US$ 3,8 bilhões em ações da companhia de Elon Musk no primeiro semestre de 2026.
Os dados aparecem em documentos regulatórios apresentados nos Estados Unidos e mostram a presença de patrimônios das Américas, Europa e Oriente Médio entre os acionistas da empresa. Para alguns desses investidores, é a primeira vez que a exposição à SpaceX se torna pública.
A maior participação entre os family offices mencionados pertence à Tao Capital, ligada a Nick Pritzker, herdeiro da fortuna associada à rede Hyatt Hotels. No fim de junho, o investimento estava avaliado em aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
A família brasileira Moreira Salles, historicamente ligada ao setor financeiro e ao Itaú Unibanco, também aparece entre os grandes investidores. Segundo os registros, seu veículo de investimentos declarou uma posição superior a US$ 100 milhões na SpaceX.
Outra participação relevante foi informada pela BlueCrest Capital, de Michael Platt, também acima da marca de US$ 100 milhões. Já uma companhia de investimentos ligada ao presidente dos Emirados Árabes Unidos e governante de Abu Dhabi, xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, informou uma posição próxima de US$ 65 milhões.
IPO colocou a SpaceX no centro de Wall Street
A revelação das participações acontece pouco depois de uma das operações mais aguardadas do mercado financeiro em 2026. A SpaceX estreou na bolsa em junho, após anos sendo uma das companhias privadas mais valiosas e disputadas entre grandes investidores.
A oferta movimentou US$ 75 bilhões, segundo dados divulgados pela Bloomberg, e a procura pelos papéis superou em mais de quatro vezes a quantidade de ações disponível. A operação ultrapassou com ampla margem a abertura de capital da Saudi Aramco, que até então detinha o recorde mundial.
O início das negociações foi marcado por forte valorização. Depois, no entanto, as ações passaram por um período de maior volatilidade e a companhia chegou a perder mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado até o começo de agosto.
Mesmo o encerramento do chamado período de lock-up, que limita temporariamente a venda de ações por determinados acionistas após um IPO, provocou um efeito menor do que parte do mercado esperava.
A estreia da SpaceX também teve impacto direto na fortuna de Elon Musk. Com a valorização inicial das ações, o empresário ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão em patrimônio, segundo o Bloomberg Billionaires Index, tornando-se a primeira pessoa a atingir esse patamar.
Family offices ganham espaço em grandes negócios
A presença dessas fortunas entre os acionistas da SpaceX reforça o avanço dos family offices no mercado global. Essas estruturas são criadas para administrar o patrimônio de uma família ou de um grupo restrito de clientes e podem atuar em diferentes classes de ativos.
Diferentemente de grandes fundos institucionais, costumam ter maior liberdade para definir prazos e estratégias de investimento. Além disso, dispõem de capital suficiente para participar de operações que nem sempre chegam aos investidores comuns.
Esse modelo ganhou força nas últimas duas décadas, acompanhando o crescimento de grandes patrimônios formados principalmente nos setores de tecnologia, finanças e saúde.
No caso da SpaceX, alguns dos family offices já mantinham relações com outras companhias do universo empresarial de Musk. Tanto a Tao Capital quanto veículos associados à família Moreira Salles, por exemplo, também possuem investimentos na Tesla.
Investidores da Austrália ao Canadá aparecem nos registros
Outros grandes patrimônios também passaram a revelar sua exposição à companhia. A estrutura responsável pela fortuna da empresária australiana Gina Rinehart havia informado anteriormente um investimento relevante na SpaceX, sem detalhar inicialmente o tamanho da posição.
Os registros posteriores indicaram que o investimento estava avaliado em aproximadamente US$ 1,4 bilhão, tornando-se a maior posição individual na carteira de ações americanas da Hancock Prospecting.
Já o empresário e herdeiro do setor de mídia David Thomson apareceu com uma participação próxima de US$ 1 milhão por meio de sua companhia de investimentos privados.
Um family office responsável pela gestão do patrimônio do empresário Alan Parker, ligado ao setor de duty-free, também declarou uma posição na fabricante de foguetes.
A divulgação dessas informações ocorre por causa das regras do mercado norte-americano. Gestores que administram mais de US$ 100 milhões em ações negociadas nos Estados Unidos precisam apresentar periodicamente o formulário 13F.
Embora os documentos não revelem toda a estratégia dessas fortunas, oferecem uma rara fotografia das carteiras de alguns dos investidores privados mais reservados do mundo. No caso da SpaceX, os registros mostram que a companhia conseguiu atrair não apenas grandes fundos tradicionais, mas também famílias bilionárias dispostas a manter uma exposição significativa ao negócio de foguetes, satélites e inteligência artificial de Musk.
Fonte: Bloomberg Línea