Revista Poder

Seca histórica reduz reservas de água dos EUA e ameaça abastecimento de 40 milhões de pessoas

Lago Mead e Lago Powell, alimentados pelo Rio Colorado, chegaram aos menores níveis já registrados em meio a décadas de estiagem e aumento das temperaturas

Seca prolongada e avanço das mudanças climáticas levam dois dos principais reservatórios dos EUA ao menor nível já registrado (Foto: Reprodução/Jornal Nacional/g1)

A combinação entre uma seca prolongada e o avanço das mudanças climáticas levou dois dos principais reservatórios de água dos Estados Unidos a atingirem níveis recordes de baixa. Os lagos Mead e Powell, localizados no sudoeste do país, são fundamentais para o abastecimento de aproximadamente 40 milhões de pessoas e também para a geração de energia elétrica.

O Lago Mead, na fronteira entre Nevada e Arizona, é o maior reservatório artificial dos Estados Unidos. Construído há quase um século, ele foi projetado para garantir água à população do sudoeste americano. Atualmente, o reservatório opera com apenas 27% de sua capacidade, o menor patamar já registrado.

A redução preocupa não apenas pelo impacto sobre o fornecimento de água. A estrutura também é responsável pela geração de energia hidrelétrica, utilizada por milhares de residências. A queda no volume armazenado diminui a capacidade de produção e pode afetar o funcionamento de sistemas responsáveis pelo transporte de água para grandes centros urbanos.

A situação também é crítica no Lago Powell, outro importante reservatório do sistema do Rio Colorado. O nível da água está apenas cerca de 9 metros acima do limite necessário para manter as turbinas da usina em funcionamento.

Juntos, Mead e Powell desempenham um papel estratégico para o abastecimento de cerca de 40 milhões de pessoas. Os dois reservatórios dependem principalmente do Rio Colorado, cuja vazão é fortemente influenciada pelo derretimento da neve acumulada nas montanhas durante o inverno.

Menos neve e temperaturas mais altas

A região do sudoeste dos Estados Unidos enfrenta uma das mais prolongadas secas de sua história recente. Há cerca de duas décadas, os níveis de precipitação permanecem abaixo do necessário para recuperar os estoques de água.

O aumento das temperaturas agrava o cenário. Invernos mais quentes reduzem o volume de neve nas montanhas, enquanto períodos de calor mais intenso aumentam a evaporação e a demanda por água.

Com menos neve acumulada, há também menos água disponível para alimentar o Rio Colorado durante os meses mais quentes. O resultado é uma pressão crescente sobre os reservatórios que dependem do rio.

Pesquisadores apontam que a região enfrenta uma seca sem precedentes em pelo menos 1.200 anos. O cenário evidencia como o aquecimento do planeta pode intensificar problemas relacionados à disponibilidade de água em áreas que já enfrentam condições climáticas adversas.

Disputa pela água aumenta

O Rio Colorado abastece sete estados americanos e é utilizado tanto para o consumo das cidades quanto para atividades agrícolas e geração de energia.

O problema é que o sistema atual foi estruturado com base em um acordo firmado em 1922, quando as condições de disponibilidade de água eram diferentes das observadas atualmente. Com a redução da vazão, a quantidade de água consumida pelos estados passou a superar a capacidade de reposição do rio.

A nova queda nos reservatórios aumentou a pressão para que os estados reduzam o consumo. O governo federal também avalia medidas para obrigar a adoção de cortes e evitar que os estoques atinjam níveis ainda mais críticos.

A crise do Rio Colorado mostra, assim, que a escassez de água deixou de ser apenas uma questão ambiental. Ela passou a envolver diretamente o abastecimento das cidades, a produção de energia, a agricultura e a disputa política pela distribuição de um recurso cada vez mais limitado.

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