O câncer de pulmão está entre os tumores que mais provocam mortes no Brasil e um dos principais desafios no combate à doença é identificá-la antes que avance. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente 16% dos casos são descobertos em estágio inicial.
Com a proximidade do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o coordenador da equipe médica de Oncologia da Hapvida, Jorge Abissamra Filho, chama atenção para duas medidas fundamentais: interromper o consumo de cigarros e realizar o rastreamento quando houver indicação médica.
A identificação do tumor nos estágios iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento com objetivo de cura. Dependendo das características da doença, cirurgia e radioterapia podem ser utilizadas, enquanto quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo podem complementar a estratégia terapêutica.
“Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a possibilidade de cura”, afirma o oncologista.
Os números do INCA reforçam a importância de descobrir a doença cedo. Entre os pacientes diagnosticados inicialmente, 56% permanecem vivos cinco anos depois. Quando são considerados todos os estágios do câncer de pulmão, a taxa cai para 18%.
Tumor pode evoluir sem sintomas
Uma das dificuldades para detectar o câncer de pulmão está justamente na ausência de sinais evidentes durante boa parte de sua evolução. Pequenos tumores podem crescer sem provocar sintomas, especialmente quando estão distantes dos brônquios maiores.
Quando aparecem, as manifestações podem ser confundidas com problemas respiratórios comuns. Tosse persistente, falta de ar, cansaço, rouquidão, dor no peito e emagrecimento sem causa aparente estão entre os sinais possíveis.
A presença de sangue no escarro, segundo Abissamra, merece atenção especial e deve motivar uma avaliação médica rápida.
Quem deve fazer rastreamento?
A estratégia de rastreamento mais utilizada internacionalmente envolve a realização anual de tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação para determinados grupos de maior risco.
A recomendação contempla pessoas entre 50 e 80 anos que tenham histórico de tabagismo equivalente a pelo menos 20 maços-ano e que ainda fumem ou tenham deixado o cigarro há menos de 15 anos. A indicação, porém, precisa considerar as características individuais e ser discutida com um médico.
“O rastreamento adequado pode permitir descobrir um câncer quando ele ainda é pequeno, assintomático e potencialmente curável”, explica o especialista.
Cigarro eletrônico também exige atenção
O crescimento do uso de cigarros eletrônicos trouxe novas preocupações para a saúde. Embora ainda não existam estudos com décadas de acompanhamento suficientes para determinar com precisão o risco de câncer de pulmão associado ao vape, isso não significa ausência de riscos.
Os dispositivos podem liberar nicotina, metais, partículas ultrafinas e outras substâncias potencialmente tóxicas e carcinogênicas. Por isso, o especialista recomenda cautela e reforça a importância de não considerar o cigarro eletrônico uma alternativa livre de danos.
Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade
Deixar o cigarro proporciona ganhos para o organismo desde os primeiros momentos. A circulação e a função respiratória começam a apresentar melhorias nas primeiras horas e dias, enquanto a redução do risco de câncer ocorre gradualmente.
Após cerca de dez a 15 anos sem fumar, o risco de desenvolver câncer de pulmão diminui de maneira significativa em comparação com quem continua consumindo tabaco. Ainda assim, pode permanecer acima daquele observado entre pessoas que nunca fumaram.
“Nunca é tarde para parar. Mesmo uma pessoa que fuma há décadas obtém benefício ao abandonar o cigarro”, afirma Abissamra.
Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, a recomendação do oncologista é objetiva: “Não existe consumo seguro de cigarro”.
