EUA vão comprar petróleo da Venezuela, da presidente interina Delcy Rodríguez, a preço de custo e terão poder de veto em empresa com 100 anos de concessão
A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta terça-feira o acordo petrolífero de vários bilhões de dólares que concede aos Estados Unidos o controle de cerca de um quinto das reservas do país.
“O apoio ao tratado binacional de energia entre a República Bolivariana da Venezuela e os Estados Unidos da América… está aprovado”, declarou o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
Segundo informações de um funcionário do governo dos EUA, o secretário de Energia, Chris Wright, viaja ainda hoje a Caracas para concluir o acordo com o governo da Venezuela.
O secretário Wright vai liderar “as reuniões de amanhã”, quarta-feira, em Caracas, informou sob a condição de anonimato.
Segundo a fonte, sua viagem coincidirá com o anúncio, em separado, da Chevron, que divulgará planos para ampliar suas operações na Venezuela.
Mais cedo, os Estados Unidos detalharam os planos para exercer maior controle sobre o petróleo venezuelano. Pelo “acordo” anunciado por Donald Trump na semana passada, uma empresa privada chamada North American Blue Energy Partners (Nabep), da qual o governo americano terá uma fatia de 35%, passará a deter os direitos de exploração e produção de 17 campos de petróleo na Venezuela. A maioria desses campos pertencia a companhias chinesas e russas e a aliados locais do ex-presidente Nicolás Maduro.
A Nabep pertencia ao magnata americano do petróleo Harry Sargeant e, agor,a é controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt, muito próximo dos EUA. Ela terá concessão de 100 anos sobre aqueles campos. E os EUA terão garantia de compra de 20% do petróleo produzido pela companhia a preço de custo, além de direito de preferência sobre os 80% restantes.
O acerto prevê ainda que os EUA terão poder de veto sobre a nomeação de membros do Conselho de Administração da Nabep e que a maioria dos integrantes do colegiado deverá ser formada por cidadãos americanos.
Fonte: Globo
