O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), endureceu o tom diante das críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e indicou que não pretende abrir espaço para uma ofensiva pelo impeachment do magistrado. Durante sessão no plenário, na quarta-feira (2), o senador também fez referência a valores que teriam sido solicitados para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A manifestação ocorre em meio à repercussão das investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e às informações sobre sua relação com diferentes agentes políticos e instituições. O episódio aumentou a pressão da oposição sobre Moraes e também ampliou a disputa política dentro do Congresso.
Ao mencionar o filme, Alcolumbre afirmou que existiriam outros personagens que deveriam ser considerados no debate sobre as relações de Vorcaro. A declaração foi interpretada por integrantes da oposição como um aviso de que o presidente do Senado pode ampliar o foco das discussões caso as cobranças contra o ministro do STF avancem.
Durante a sessão, Alcolumbre afirmou que poderia voltar ao assunto em outro momento e questionou a concentração das críticas exclusivamente sobre Moraes. A fala ocorreu depois de uma sequência de ataques dirigidos ao ministro em razão das informações reveladas pelas investigações.
Pressão sobre Flávio Bolsonaro
A referência ao longa-metragem também atingiu o ambiente político em torno de Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à Presidência da República. O filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, tornou-se um dos pontos citados nas discussões sobre movimentações financeiras relacionadas a Vorcaro.
Aliados de Flávio avaliam que a retomada do assunto por Alcolumbre pode representar uma forma de aumentar o custo político da ofensiva contra Moraes. A estratégia colocaria em evidência as relações mantidas por diferentes integrantes do meio político com o empresário investigado.
O episódio acontece em um momento de forte disputa eleitoral, no qual Flávio tenta consolidar seu nome como principal representante do bolsonarismo na corrida presidencial. Qualquer nova associação envolvendo integrantes da família Bolsonaro e personagens investigados pode ganhar peso no debate eleitoral.
Caso Master amplia disputa no Congresso
As investigações relacionadas ao Banco Master também já provocaram embates no Congresso. A criação de uma comissão parlamentar de inquérito para aprofundar as apurações foi discutida ao longo do ano, mas não avançou.
Nesse cenário, Alcolumbre passou a ser alvo de críticas de setores da oposição, que defendem uma investigação parlamentar sobre o caso. O presidente do Senado, por sua vez, sustenta uma posição de cautela em relação à abertura de novas frentes de investigação.
O próprio Alcolumbre também aparece politicamente ligado a outro episódio relacionado ao banco. Trata-se da investigação sobre o Amapá Previdência, fundo destinado aos servidores públicos do estado que manteve investimentos em ativos associados ao Master. O dirigente afastado da instituição é apontado como aliado político do senador.
A disputa agora envolve duas frentes. De um lado, oposicionistas pressionam por medidas contra Moraes e defendem mudanças nas regras para abertura de processos de impeachment de ministros do Supremo. De outro, Alcolumbre sinaliza que não pretende facilitar esse movimento e pode ampliar o debate para outros nomes envolvidos nas relações com Vorcaro.
Para integrantes da oposição, a postura do presidente do Senado tende a alimentar justamente o discurso de renovação da Casa. A avaliação é de que candidatos ao Senado poderão usar o episódio durante a campanha para defender uma nova composição do Congresso e maior disposição para analisar pedidos contra integrantes do STF.
O embate, portanto, ultrapassa a discussão sobre Alexandre de Moraes e passa a envolver também a disputa eleitoral de 2026, as investigações sobre o Banco Master e as relações políticas construídas em torno de Daniel Vorcaro.
