A Procuradoria-Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma proposta de acordo de colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é proprietário da Entre Investimentos e Participações, empresa que aparece em relatórios financeiros relacionados a movimentações investigadas no caso Banco Master.
Segundo investigadores, a companhia teria sido utilizada como intermediária em operações envolvendo recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Freixo Júnior também teria participado da busca por dinheiro em espécie para atender a pagamentos determinados pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O acordo foi firmado no mesmo dia em que a Procuradoria apresentou ao Supremo a colaboração de João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag. As duas propostas foram encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator das investigações, e ainda precisam ser analisadas para eventual homologação.
A colaboração premiada é um instrumento utilizado em investigações criminais por meio do qual um investigado fornece informações e elementos de prova às autoridades em troca de possíveis benefícios previstos em lei. Para que o acordo produza efeitos, é necessário que a Justiça avalie sua regularidade e legalidade.
Empresa recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados
Relatórios de inteligência financeira elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam que a Entre Investimentos recebeu aproximadamente R$ 159,2 milhões de fundos que estão no radar da Polícia Federal durante as apurações envolvendo o Banco Master.
Desse montante, cerca de R$ 139,2 milhões foram transferidos pela Sefer Investimentos, que também aparece nas investigações sobre as operações de Daniel Vorcaro. Outros R$ 20 milhões tiveram origem no fundo Gold Style, administrado pela Reag.
Até o momento, não foi identificado quanto desse dinheiro teria sido efetivamente destinado à produção de “Dark Horse”. O financiamento do longa, porém, aparece entre os pontos analisados pelas autoridades nas investigações.
A Entre Investimentos fazia parte do grupo Entrepay, que teve a liquidação determinada pelo Banco Central em março deste ano. Segundo o órgão, a medida ocorreu diante do comprometimento da situação econômico-financeira do conglomerado e de irregularidades relacionadas ao cumprimento das normas do setor.
Repasses ao filme entraram no radar das investigações
As investigações também identificaram pagamentos realizados por Vorcaro para a produção de “Dark Horse”. Ao todo, foram registrados sete repasses, incluindo uma transferência adicional de US$ 1,6 milhão realizada em setembro de 2025.
O pagamento ocorreu depois de cobranças relacionadas a parcelas que estavam pendentes. Antes disso, outros seis repasses já haviam sido identificados, sendo dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão.
Os valores eram direcionados ao Havengate Development Fund, sediado no Texas, responsável pela administração dos recursos e pelos repasses à Go Up Entertainment, empresa encarregada da produção do filme.
Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado que já atuou na defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A apuração sobre os recursos faz parte de um conjunto maior de investigações conduzidas pela Polícia Federal para esclarecer movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master e empresas associadas ao grupo.
Próximos passos
Com o envio da proposta ao STF, caberá ao ministro André Mendonça avaliar os termos apresentados pela Procuradoria e decidir sobre a homologação. Caso o acordo seja validado, as informações fornecidas pelo empresário poderão ser utilizadas no prosseguimento das investigações, desde que atendidos os requisitos legais.
A eventual homologação não representa, por si só, confirmação das acusações relatadas pelo colaborador. As informações e provas apresentadas em uma delação precisam ser analisadas e confrontadas com outros elementos obtidos pelas autoridades.
