Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação ocorre após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
No Banco do Brasil, o movimento ocorre de forma parcial. A paralisação foi adotada nas bases sindicais que não aprovaram a proposta negociada com a instituição. Entre elas estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis. Novas assembleias estão previstas para esta sexta-feira (11), quando os trabalhadores deverão avaliar os termos apresentados pelo banco.
A mobilização ocorre após a assinatura, na quarta-feira (9), da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e os representantes dos bancários. O documento estabelece regras gerais para a categoria em todo o país.
Entre os principais pontos está a reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acompanhada de aumento real de 0,6% nos próximos dois anos. O reajuste também será aplicado a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e outros auxílios.
A convenção também incorpora medidas relacionadas à saúde mental, prevenção e combate ao assédio, direito à desconexão fora do expediente e maior transparência nas regras de monitoramento digital dos trabalhadores.
Outro ponto previsto é a criação de um programa de qualificação e recolocação profissional. O acordo ainda estabelece melhorias na indenização destinada a funcionários de bancos privados demitidos em razão do fechamento de agências.
Segundo a Fenaban, a negociação envolveu 13 rodadas realizadas ao longo de mais de dois meses. A nova convenção tem abrangência nacional e reúne 171 bancos e aproximadamente 414 mil bancários distribuídos por cerca de 3,6 mil municípios. Ao todo, 245 entidades sindicais participaram da assinatura do acordo.
Caixa mantém negociações
Na Caixa, a decisão pela greve foi tomada após a rejeição da proposta de renovação do ACT. Segundo a Contraf-CUT, mais de 90% das bases sindicais recusaram os termos apresentados pelo banco nas assembleias realizadas em diferentes regiões.
A entidade afirma que, embora a Caixa não tenha apresentado uma nova proposta, houve compromisso de avanço nas negociações. Uma nova reunião entre representantes da instituição e dos trabalhadores foi marcada para esta quinta-feira (10).
Entre as principais divergências está o Saúde Caixa, além de outras reivindicações apresentadas pelos empregados desde o início da campanha.
A Caixa informou que mantém o diálogo com as entidades representativas e pretende buscar um entendimento. Caso os trabalhadores não aprovem os termos dentro do prazo estabelecido, o banco afirmou que poderá retirar a proposta e recorrer à Justiça por meio de um dissídio coletivo.
Apesar da paralisação, os clientes podem utilizar os canais digitais e remotos da instituição, como o aplicativo CAIXA, Internet Banking, WhatsApp CAIXA e CAIXA Tem. Também permanecem disponíveis os caixas eletrônicos, Banco24Horas, casas lotéricas e Correspondentes CAIXA Aqui.
Banco do Brasil tem adesão regional
No Banco do Brasil, a nova convenção foi aprovada por parte dos sindicatos, mas acabou rejeitada por outras 60 entidades. Em 39 bases sindicais, os trabalhadores aprovaram a proposta apresentada pelo banco, incluindo São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí.
A instituição informou que participa da mesa geral de negociação coordenada pela Fenaban e mantém também uma rodada específica de discussões com as entidades que representam seus funcionários.
O banco afirmou que foram realizadas diversas reuniões durante as negociações da data-base de 2026 e que o acordo foi aprovado em assembleias de trabalhadores de diferentes regiões.
Enquanto as negociações prosseguem, o Banco do Brasil orienta os clientes a utilizarem o aplicativo, o Internet Banking, correspondentes bancários, a Central de Relacionamento e o WhatsApp. Os números de atendimento também permanecem disponíveis para os usuários.
A expectativa é de que as novas assembleias previstas para sexta-feira definam os próximos passos do movimento nas bases que rejeitaram o acordo.