A procura pela primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aumentou significativamente em 2026. Entre janeiro e agosto, foram registrados 7,3 milhões de pedidos de primeira habilitação no país, número 216% maior que os 2,3 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado.
O crescimento ocorre nos primeiros meses de vigência do novo modelo para obtenção da carteira, aprovado no fim de 2025. Entre as principais alterações está o fim da obrigatoriedade de realizar as aulas teóricas e práticas exclusivamente em autoescolas.
Com as novas regras, o candidato passou a ter mais alternativas para cumprir a formação. As aulas podem ser feitas em instituições credenciadas ou com instrutores autônomos autorizados pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). Também permanece a possibilidade de seguir pelo formato tradicional oferecido pelas autoescolas.
Formação ganhou novas opções
Outra mudança foi a redução da carga mínima obrigatória das aulas práticas, que passou de 20 horas para duas horas. O candidato também pode utilizar um veículo próprio durante a formação, desde que o automóvel esteja regularizado, com manutenção adequada e equipado de acordo com as exigências do Código de Trânsito Brasileiro.
Na parte teórica, o candidato pode estudar gratuitamente e de forma remota pelo aplicativo oficial CNH do Brasil. A formação deixou de exigir uma quantidade mínima de horas, permitindo que o aluno avance de acordo com o próprio ritmo.
Os instrutores independentes precisam ser credenciados pelos Detrans e têm suas atividades registradas no sistema. A relação dos profissionais autorizados pode ser consultada pelos candidatos nos canais oficiais, com informações sobre identificação, credenciamento e validade da autorização.
Nos oito primeiros meses do ano, 4,4 milhões de cursos teóricos foram realizados e mais de 2 milhões de novos motoristas foram formados. Segundo o Ministério dos Transportes, o tempo necessário para concluir o processo de habilitação caiu 30% em comparação com o período anterior.
A pasta estima ainda uma economia próxima de R$ 10 bilhões com o novo modelo.
Menos infrações entre novos motoristas
Os dados divulgados pelo Ministério dos Transportes também apontam redução na proporção de novos condutores registrados com infrações. A queda chegou a 77,1% no período analisado.
Para o ministro dos Transportes, George Santoro, uma possível explicação está na maior liberdade de escolha do candidato sobre quem irá ministrar sua formação prática.
Apesar da ampliação da atuação dos profissionais autônomos, as autoescolas continuam fazendo parte do processo de habilitação. Entre janeiro e agosto, 86,8% dos cursos práticos ainda foram realizados nesses estabelecimentos. Os instrutores independentes responderam pelos outros 13,2%, o equivalente a aproximadamente 553 mil aulas entre os 4,18 milhões de cursos práticos registrados no período.
Mercado de autoescolas passa por reorganização
A mudança nas regras também provocou alterações no número de estabelecimentos do setor. De janeiro a agosto, 478 autoescolas encerraram as atividades, contra 266 no mesmo intervalo de 2025.
Por outro lado, foram abertas 166 novas unidades neste ano, enquanto 402 haviam sido inauguradas no mesmo período do ano anterior.
Segundo o Ministério dos Transportes, os números indicam uma reorganização do mercado. A pasta afirma que não houve registro de falências e calcula uma redução líquida de aproximadamente 2% no estoque de autoescolas.
Renovação automática beneficia bons condutores
Além das mudanças para quem busca a primeira habilitação, o novo sistema trouxe alterações para motoristas que já possuem CNH.
Entre janeiro e agosto, foram realizadas 1,73 milhão de renovações automáticas destinadas a bons condutores. O mecanismo considera motoristas que não tiveram pontos ou infrações registradas na carteira nos 12 meses anteriores e que estejam inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores.
A renovação pode ocorrer de forma automática e gratuita, embora existam restrições para determinados grupos, como condutores com 70 anos ou mais e motoristas a partir de 50 anos, que podem receber o benefício apenas uma vez.
Exames e etapas presenciais continuam
Apesar da simplificação do processo, algumas fases permanecem obrigatórias. O candidato ainda precisa comparecer presencialmente para o registro biométrico, exame médico, prova teórica e avaliação prática.
O Ministério dos Transportes informou ainda que 24 dos 27 estados adotam o limite de R$ 180 para os exames de aptidão física, mental e psicológica. Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe possuem valores superiores em razão de decisões judiciais.
O governo estima que as novas regras possam reduzir em até 80% o custo total para obtenção da CNH, que pode chegar atualmente a R$ 5 mil.
De acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito, cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação. Outros 30 milhões teriam idade para obter a carteira, mas não possuem recursos financeiros para arcar com o processo.
