A família E2 da Embraer vem ganhando espaço no mercado internacional de aviação comercial em um momento de forte demanda por aeronaves e de longos prazos de entrega oferecidos pelas maiores fabricantes do setor. Com três modelos, a linha foi desenvolvida para atender principalmente rotas que não exigem aviões de grande porte e busca combinar eficiência operacional com maior flexibilidade para as companhias aéreas.
A linha é composta pelos modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2. O maior deles, o E195-E2, comporta até 146 passageiros e é atualmente o maior avião comercial já produzido pela fabricante brasileira. Dependendo da configuração e da versão, os jatos podem alcançar até 5.556 quilômetros.
Produzidos em São José dos Campos, no interior de São Paulo, os aviões começaram a ganhar forma comercial na década passada. O primeiro E2 foi apresentado em 2017, como parte da estratégia da Embraer de atualizar sua família de jatos e disputar um segmento situado entre aeronaves regionais menores e modelos maiores de fabricantes como Airbus e Boeing.
Eficiência é um dos principais atrativos
Um dos diferenciais da família E2 está na combinação entre motores de nova geração, menor peso e sistemas mais modernos. A proposta é reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, os custos associados à operação das aeronaves.
O combustível representa uma parcela significativa das despesas das empresas aéreas. Dados da Fundação Getulio Vargas indicam que, em 2025, o querosene de aviação respondeu por entre 17% e 36% dos custos operacionais das principais companhias do setor.
Para as empresas, portanto, uma aeronave capaz de transportar uma quantidade intermediária de passageiros sem exigir o mesmo volume de combustível de um avião maior pode ser uma alternativa para determinadas rotas.
O engenheiro mecânico Bruno Chieregatti, do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que o E2 foi desenvolvido com tecnologias atuais em diferentes áreas, incluindo motores, estrutura e sistemas de navegação.
A capacidade menor em relação aos aviões mais utilizados por Airbus e Boeing também pode representar uma vantagem operacional. Nem todas as rotas possuem demanda suficiente para justificar aeronaves com cerca de 180 a 200 passageiros.
Nesse cenário, os modelos da Embraer podem ser utilizados em ligações entre cidades de médio porte, inclusive em trajetos diretos que não necessariamente precisam passar por grandes centros de conexão.
Prazo de entrega favorece a fabricante brasileira
Outro fator que tem ajudado a Embraer é o cenário de produção enfrentado pela indústria mundial de aviação. A recuperação da demanda após a pandemia aumentou a procura por novas aeronaves, enquanto problemas nas cadeias de fornecimento continuam afetando a fabricação.
Com isso, companhias aéreas interessadas em ampliar ou renovar suas frotas enfrentam prazos elevados para receber determinados modelos produzidos pelas maiores fabricantes mundiais.
A Embraer consegue entregar os jatos da família E2 em um período inferior a dois anos, segundo as informações apresentadas sobre o programa. A diferença de prazo pode pesar na decisão das empresas que precisam incorporar aeronaves à frota em um intervalo menor.
A estratégia também permite à fabricante brasileira atuar em um segmento específico do mercado, sem disputar diretamente todas as categorias dominadas pelos aviões de maior capacidade.
Presença crescente entre companhias aéreas
No Brasil, os modelos da família E2 já fazem parte das operações de Azul e Latam. A Gol também anunciou a aquisição de 20 unidades do E195-E2.
No mercado internacional, a aeronave também conquistou espaço entre companhias de diferentes regiões. Entre as empresas que operam ou demonstraram interesse nos modelos estão Avelo Airlines, dos Estados Unidos, Finnair, da Finlândia, Star Air, da Índia, Luxair, de Luxemburgo, e Airlink, da África do Sul.
A expansão da carteira de pedidos ocorre em um período de crescimento da produção da Embraer. Segundo informações divulgadas pela companhia, foram entregues 141 aeronaves em 2021, enquanto a previsão para 2026 é chegar a 255 unidades.
Em julho, a fabricante informou ter alcançado US$ 34,5 bilhões em encomendas considerando todo o seu portfólio, que inclui, além da aviação comercial, jatos executivos e aeronaves militares.
Problemas no GPS afetaram operação dos E2
Apesar do avanço comercial, a família E2 também esteve no centro de um problema operacional recente. Uma instabilidade global relacionada ao sistema de GPS afetou aeronaves do modelo e provocou impactos principalmente em voos da Azul.
A Embraer informou que a falha não compromete a segurança das operações. Os aviões contam com sistemas de navegação alternativos que permitem a continuidade dos voos mesmo diante de problemas relacionados ao GPS.
O episódio ocorreu justamente em um momento de maior visibilidade para a família E2, que vem ampliando sua presença entre companhias aéreas.
Com capacidade intermediária, menor consumo e possibilidade de atender diferentes tipos de rotas, os modelos representam uma das principais apostas da Embraer na aviação comercial. A fabricante, porém, continua operando em uma escala menor do que Airbus e Boeing, que dominam boa parte do mercado mundial de aeronaves comerciais de maior porte.