Governo Trump usa argumento de segurança nacional para justificar veto a jornalistas

CNN, MS NOW e Politico processam governo americano após terem credenciais confiscadas no último sábado (19)

Repórter da CNN realiza transmissão ao vivo em uma rua de Washington, nos Estados Unidos, após ser barrada da Casa Branca por decisão do governo de Donald Trump, em 19 de setembro de 2026. (Foto: Anna Rose Layden/Reuters)

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos defendeu, nesta terça-feira (22), que o presidente Donald Trump tem autoridade para proibir o acesso de jornalistas da CNN, da MS NOW e do site Politico à Casa Branca. A manifestação ocorreu um dia antes de uma audiência judicial marcada para esta quarta-feira (23), na qual será analisada a ação movida pelos três veículos contra o governo americano.

Segundo o próprio departamento, cartas explicando os motivos da proibição foram enviadas nesta terça-feira aos veículos afetados. Os documentos citam uma série de reportagens que, na avaliação da Casa Branca, teriam colocado em risco a segurança nacional e disseminado informações falsas.

A restrição de acesso foi imposta no último sábado (19), quando as credenciais dos jornalistas dos três veículos foram confiscadas pela administração Trump. A medida, segundo o presidente, seria uma resposta à cobertura considerada por ele como desinformação sobre seu governo.

Governo defende que acesso à Casa Branca é privilégio

Em documento apresentado à Justiça, o Departamento de Justiça argumentou que cabe ao presidente controlar o acesso de repórteres a áreas restritas da residência presidencial, incluindo o Salão Oval. O órgão reforçou a posição já manifestada anteriormente por Trump de que o acesso à Casa Branca representa um privilégio concedido pelo governo, e não um direito automático da imprensa.

As empresas jornalísticas têm até sexta-feira (25) para apresentar formalmente suas objeções ao documento enviado pelo governo com as justificativas para o veto. Segundo a CNN Internacional, a carta recebida pela emissora cita especificamente uma reportagem sobre planos do governo Trump de construir um bunker sob o salão de baile da Ala Leste da Casa Branca, atualmente em obras, considerada pela administração como reveladora de detalhes ultrassecretos de construção. O documento também menciona outras matérias produzidas pela emissora sobre a guerra no Irã.

Veículos processam governo por violação da liberdade de imprensa

Em ação judicial conjunta, CNN, MS NOW e Politico solicitam a suspensão urgente da proibição imposta pelo governo, alegando que a medida representa violação direta ao direito constitucional de liberdade de imprensa garantido pela Primeira Emenda da Constituição americana. Em manifestação apresentada ao tribunal, as empresas classificaram o veto como um ataque direto a princípios constitucionais fundamentais do país.

O episódio não é isolado dentro da relação conturbada entre Trump e a imprensa americana. O republicano mantém histórico de ataques a jornalistas que produzem cobertura crítica à sua gestão, chegando a classificar publicamente a imprensa como inimiga do povo em diversas ocasiões.

A medida ocorre em um momento delicado para o governo americano, com índices de aprovação em queda e o Partido Republicano enfrentando risco real de perder o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato previstas para novembro.