Revista Poder

EUA e China avançam em trégua comercial com redução de tarifas sobre US$ 60 bilhões

Plano contempla bens de consumo chineses e produtos agrícolas e médicos norte-americanos, mas representa uma parcela limitada do comércio entre os dois países

Xi Jinping e Donald Trump

Fotos Reprodução Instagram

Estados Unidos e China deram um novo passo para reduzir as tensões comerciais. Os dois países divulgaram um plano para oferecer tratamento tarifário mais favorável a cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias, divididos igualmente entre aproximadamente US$ 30 bilhões em produtos de cada lado. A iniciativa surgiu após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, realizado na semana passada em Washington.

Entre os produtos chineses que poderão ter tarifas reduzidas nos Estados Unidos estão brinquedos, pequenos eletrodomésticos, utensílios domésticos e artigos para crianças. Já a lista destinada ao mercado chinês contempla produtos agrícolas, pescados, madeira, cosméticos, carvão e equipamentos médicos norte-americanos.

Segundo o Ministério do Comércio da China, mais de 90% dos itens incluídos devem deixar de pagar as tarifas adicionais aplicadas especificamente durante as disputas comerciais e passar a receber o tratamento tarifário de nação mais favorecida. As mudanças, no entanto, ainda dependem da conclusão dos procedimentos legais internos de cada país antes de entrarem em vigor.

Produtos considerados não sensíveis

A negociação ocorre dentro do Conselho de Comércio EUA-China, mecanismo criado pelos dois governos neste ano. A proposta inicial concentra-se em bens classificados como não sensíveis e prevê tratamento recíproco para volumes semelhantes de importação.

A lista norte-americana reúne 77 categorias de produtos chineses, enquanto a relação elaborada por Pequim abrange 1.619 itens dos Estados Unidos. Setores considerados estratégicos, como semicondutores, veículos elétricos e baterias, ficaram fora desse acordo.

Para consumidores norte-americanos, a redução pode afetar produtos como brinquedos, artigos domésticos e decorações sazonais. Do lado chinês, a medida amplia o acesso a itens como carnes, laticínios, grãos, madeira, carvão e equipamentos médicos.

Apesar da dimensão do anúncio, o volume representa apenas uma parte das trocas comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A Bloomberg Economics avalia que o impacto macroeconômico deve ser limitado justamente porque o acordo se concentra em categorias específicas e deixa de fora áreas mais sensíveis da relação bilateral. Bloomberg Línea Brasil

Agricultura entra em nova rodada de negociações

O setor agrícola também ganhou espaço nas conversas. China e Estados Unidos decidiram criar um grupo de trabalho dedicado à agricultura, cuja primeira reunião está prevista para ocorrer até o fim de 2026. A intenção é tratar de questões regulatórias, acesso a mercados e outras barreiras comerciais.

Grãos como milho, trigo e sorgo aparecem entre os produtos norte-americanos que poderão receber tarifas menores. A soja, porém, não integra essa lista específica de redução tarifária, embora faça parte de compromissos comerciais discutidos separadamente entre os dois países.

O carvão dos Estados Unidos também entrou no acordo. A Casa Branca informou que a China deverá importar pelo menos 10 milhões de toneladas métricas por ano em 2027 e 2028.

O movimento não encerra as divergências comerciais entre Washington e Pequim, mas estabelece uma área de negociação em produtos considerados menos sensíveis. Por enquanto, os dois governos mantêm a estratégia de reduzir barreiras em setores específicos enquanto continuam discutindo temas mais amplos da relação econômica bilateral.

 

Fonte: Bloomberg Línea

Sair da versão mobile