Revista Poder

O Congresso RIO ÓLEO E GÁS de 2026 discute a transição e a segurança energética no Brasil

Foto: Divulgação

Por Francisco Neves*

Em tempos de instabilidade geopolítica, a segurança energética deixa de ser uma expressão abstrata e passa a significar capacidade concreta de garantir abastecimento, estimular a atividade econômica e proteger o consumidor. Foi nesse contexto que a Presidente da Petrobras e do Conselho Administrativo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Magda Chambriard, sugeriu, durante o Congresso Rio Óleo e Gás de 2026, a complementaridade das diversas fontes de energia ao afirmar na abertura do congresso: “A única coisa que a gente sabe é que, em tempos conturbados, como o que nós estamos vivendo hoje, tudo o que a gente fizer em prol da segurança energética do país é válido”, afirmou ela, que representava o Conselho no Evento.

A ROG.e 2026, realizada de 21 a 24 de setembro, no Riocentro, foi exitosa e contou com a participação de mais 17 mil inscritos. O evento mostrou por que a transição energética deve ser tratada com visão estratégica e compromisso público. Houve discussões sobre petróleo, descarbonização, inovação tecnológica, cadeia de suprimentos e novas fontes de energia.

Nas apresentações técnicas das diversas equipes da Petrobras e múltiplos outros entes públicos e privados, a principal mensagem indica a necessária complementaridade dos combustíveis fósseis e as fontes de energias renováveis. O compromisso com a descarbonização do conjunto das atividades econômicas e a indispensável reposição de reservas de petróleo e gás do país também estiveram presentes nas discussões técnicas.

O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais diversificadas e renováveis do mundo, mas ainda apresenta baixa disponibilidade de energia por habitante. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, da Empresa de Pesquisa Energética, a Oferta Interna de Energia per capita brasileira foi de 1,54 tep/hab em 2025. A média mundial havia alcançado 1,88 tep/hab em 2023; no mesmo ano, o indicador foi de 2,85 na China, 2,63 na Europa da OCDE, 3,67 nos países da OCDE e 6,36 nos Estados Unidos. O PDE projeta que o Brasil alcance 1,88 tep/hab em 2035.

Ampliar a oferta interna de energia é condição necessária para o desenvolvimento econômico, a industrialização, a geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Na visão das empresas de distribuição de combustíveis, essa expansão precisa ocorrer com racionalidade econômica, previsibilidade regulatória, segurança do abastecimento, competitividade e redução de emissões.

A substituição de fontes e tecnologias deve ser gradual e eficiente, sempre que novas alternativas apresentarem sustentabilidade econômica, viabilidade tecnológica e segurança no fornecimento. Restrições desproporcionais ou custos artificiais, em um cenário de escassez, encarecem a energia e os combustíveis e limitam o acesso das famílias ao consumo energético.

O mercado brasileiro de combustíveis líquidos é parte relevante dessa equação. Sua capilaridade, a diversidade de agentes, a experiência acumulada no abastecimento nacional precisa ser considerada na formulação das políticas de transição. Isso inclui ampliar e modernizar infraestrutura de produção, refino, biocombustíveis, terminais, armazenagem, transporte e distribuição.

Para o segmento de distribuição de combustíveis, o debate da transição energética deve incorporar alguns princípios: complementaridade entre fontes; planejamento energético de longo prazo baseado em critérios técnicos, econômicos, ambientais e de segurança; expansão da infraestrutura; modernização tecnológica e logística do setor; e uma transição capaz de produzir benefícios concretos para a sociedade, com menor intensidade de carbono sem comprometer o abastecimento.

A mensagem principal do Congresso é clara e correta: segurança energética e transição não são agendas opostas. Para um país que ainda precisa ampliar a oferta interna de energia, a transição deve significar mais opções, mais eficiência, mais investimento e menor emissão, sem renunciar às fontes firmes de energia que continuam sendo necessárias para sustentar o desenvolvimento nacional.

*Ex-superintendente da ANP e Diretor executivo da ANDC
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