O governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira (5) que a realização de um segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras já era esperada. A declaração foi feita pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao comentar o resultado do primeiro turno, mas sem indicar preferência por nenhum dos dois candidatos que permanecem na disputa.
Questionado por jornalistas antes de embarcar para a Islândia, Rubio afirmou que o resultado estava dentro do cenário previsto e disse que o governo americano acompanhará o desenrolar da nova etapa eleitoral.
“Foi para o 2º turno e todos esperavam que isso fosse acontecer. Vamos ver como as coisas se desenrolam”, declarou.
A manifestação foi breve e não citou os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputarão a Presidência no dia 25 de outubro.
Washington mantém cautela
A posição adotada por Rubio segue uma postura mais reservada do governo de Donald Trump em relação à eleição brasileira.
Embora Trump tenha demonstrado proximidade ideológica com o grupo político ligado à família Bolsonaro em outras ocasiões, o governo americano não declarou publicamente apoio a Flávio Bolsonaro nesta eleição.
O próprio presidente americano já havia afirmado anteriormente que acompanha de perto o processo eleitoral brasileiro. Após a definição do segundo turno, porém, evitou fazer uma manifestação direta em favor de qualquer um dos candidatos.
A cautela chama atenção diante da relevância da relação entre Brasil e Estados Unidos e das diferenças políticas entre os dois campos que disputarão a Presidência.
Trump cita eleição brasileira e comete erro
Também nesta segunda-feira, Donald Trump publicou uma mensagem sobre a eleição brasileira em sua rede social. Na primeira versão do texto, o presidente americano confundiu o Brasil com a Índia ao fazer referência ao pleito.
A publicação foi posteriormente corrigida.
Na mensagem, Trump destacou a velocidade da apuração dos votos no Brasil e utilizou o resultado brasileiro para fazer críticas ao sistema eleitoral dos Estados Unidos.
O presidente americano comparou a rapidez da divulgação dos resultados brasileiros com o tempo de contagem de votos em cidades e estados americanos administrados por democratas. Na mesma publicação, voltou a levantar críticas sobre a condução das eleições nos Estados Unidos.
Trump não mencionou diretamente Lula ou Flávio Bolsonaro em seu comentário sobre o primeiro turno.
Flávio e Lula disputam a Presidência
O segundo turno brasileiro será disputado por Flávio Bolsonaro e Lula depois de uma votação marcada pela forte polarização entre os grupos políticos ligados ao bolsonarismo e ao petismo.
Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.503 votos. Lula ficou em segundo lugar, com 45,16%, ou 53.879.538 votos, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral.
A diferença entre os dois candidatos foi de pouco mais de dois pontos percentuais, deixando a disputa aberta para a etapa final.
Os eleitores voltarão às urnas em 25 de outubro para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos.
Resultado terá impacto internacional
A eleição brasileira é acompanhada de perto por governos estrangeiros devido ao peso político e econômico do país na América Latina e à importância das relações comerciais e diplomáticas com grandes potências.
A postura adotada por Washington deverá continuar sob observação durante as próximas semanas. Eventuais declarações de Trump, Rubio ou de outros integrantes do governo americano poderão ganhar peso na campanha brasileira, especialmente diante da proximidade ideológica existente entre setores do governo dos EUA e o grupo político de Flávio Bolsonaro.
Por enquanto, a orientação pública de Washington permanece sem uma escolha explícita. Com o segundo turno definido, o governo Trump sinaliza que acompanhará o processo enquanto os dois candidatos buscam ampliar alianças e conquistar os votos necessários para vencer a eleição.
Se Flávio Bolsonaro for eleito, assumirá a Presidência aos 45 anos em janeiro de 2027, ocupando o cargo que já foi exercido por seu pai, Jair Bolsonaro. Caso Lula vença, chegará ao quarto mandato presidencial aos 81 anos, tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar a Presidência da República quatro vezes.
