Com mais de 20 anos de atuação no mercado de licensing no Brasil, Renata Vigna construiu sua trajetória conectando propriedades intelectuais, indústria, varejo e consumidores. À frente da Vigna Corporate, empresa que criou a partir dessa experiência, atua de forma estratégica na construção de negócios e no desenvolvimento de marcas. Entre seus projetos atuais está o retorno da Pucca ao Brasil, personagem que marcou os anos 2000 e agora chega com a proposta de conquistar também novas gerações. Nesta conversa, Renata fala sobre empreendedorismo, comportamento, negociação e as transformações de um mercado que hoje vai muito além do produto.
Você está há mais de 20 anos no mercado de licensing. O que a experiência ensinou à Renata de hoje?
Que nem toda oportunidade é uma boa oportunidade. No início da carreira, é natural olhar principalmente para o potencial comercial de uma marca. Com o tempo, aprendi a analisar o todo: a propriedade, o consumidor, o parceiro, o produto, o varejo e, principalmente, a capacidade de construir algo consistente.
Hoje sou muito mais seletiva. Aprendi que dizer “não” para um projeto que não faz sentido também faz parte do negócio. Meu maior patrimônio profissional são os relacionamentos e a reputação construídos ao longo dessa trajetória.
Foi dessa experiência que nasceu a Vigna Corporate? E qual é o papel da empresa nesse mercado?
Sim. A Vigna Corporate foi uma evolução natural da minha trajetória. Depois de tantos anos trabalhando com propriedades, empresas e parceiros, percebi que poderia reunir essa experiência em uma operação própria, com uma visão mais estratégica e próxima dos negócios.
Nosso papel é fazer a ponte entre uma propriedade intelectual e o mercado: entender seu potencial, identificar os parceiros certos e transformar esse potencial em negócios consistentes. É um trabalho que envolve muito mais do que colocar uma marca em um produto.
O licensing mudou bastante nos últimos anos. Hoje, o personagem deixou de ser apenas um produto para se tornar um universo?
Completamente. Ainda existe a percepção de que licensing é apenas colocar personagens em produtos, mas o mercado hoje é muito mais amplo. Uma propriedade pode estar na moda, beleza, alimentação, decoração, entretenimento, conteúdo digital e experiências.
O consumidor também mudou. Ele não quer apenas comprar um produto; busca identificação, pertencimento e experiências. Por isso, construir comunidade se tornou tão importante. As marcas que conseguem criar uma relação emocional com as pessoas têm muito mais possibilidades de conexão.
Um dos seus projetos atuais é o retorno da Pucca ao Brasil. Por que apostar em uma personagem criada há mais de 20 anos?
Porque a Pucca tem algo que continua extremamente atual: personalidade. Ela reúne humor, atitude, energia e uma identidade visual muito forte.
Existe uma geração que cresceu com a personagem e tem uma memória afetiva importante, mas também há uma nova geração que pode descobri-la agora. O desafio é justamente transformar essa nostalgia em uma nova história.
O crescimento do interesse por referências asiáticas no Brasil também cria um ambiente interessante, mas uma propriedade não pode depender apenas de uma tendência. Ela precisa ter identidade própria e estabelecer uma conexão verdadeira com o consumidor.
O que você procura em uma marca e o que pode fazer uma negociação deixar de fazer sentido?
Procuro, antes de tudo, personalidade e uma boa história. Também observo o potencial de conteúdo, a força visual, a possibilidade de criar produtos e experiências e, principalmente, a capacidade de estabelecer uma relação emocional com as pessoas.
Na negociação, relacionamento e confiança são fundamentais. Estamos colocando uma marca nas mãos de outra empresa, então é preciso haver alinhamento e respeito pelo que aquela propriedade representa.
Também aprendi a abrir mão de oportunidades que parecem interessantes no curto prazo, mas não estão alinhadas a uma estratégia de longo prazo. Nem todo crescimento é necessariamente evolução.
Como você enxerga o futuro do licensing e o seu próprio próximo capítulo?
O mercado caminha para uma integração cada vez maior entre entretenimento, conteúdo, produto, experiência e comunidade.
As marcas que entenderem comportamento e criarem conexões reais terão vantagem.
Quero continuar ampliando a Vigna Corporate, trabalhando com propriedades relevantes e participando de projetos com impacto cultural e comercial. Mas quero, principalmente, manter a curiosidade. Ela é o que nos faz continuar aprendendo.
Se tivesse que definir minha trajetória profissional em uma palavra, seria conexão. No fim, meu trabalho sempre foi conectar pessoas, marcas e oportunidades, e acredito que essa capacidade continuará fazendo a diferença.