Revista Poder

Avanço da direita no Senado leva STF a monitorar pautas de impeachment de ministros

Maioria dos novos senadores foi eleita com a bandeira de discutir o funcionamento da Corte, e o PL terá 19 cadeiras, a maior bancada da Casa

Foto: Reprodução/STF

Enquanto as campanhas do segundo turno ocupam as ruas, uma articulação de bastidor começa a mexer com o Supremo Tribunal Federal (STF). O perfil do novo Senado, mais alinhado à direita, acendeu um alerta entre ministros da Corte, já que a maior parte dos parlamentares eleitos pretende dedicar o próximo ano a discutir o funcionamento do tribunal e a defender o impeachment de magistrados. As informações foram apuradas pelo blog com fontes do Judiciário e da política.

Na terça-feira (6), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), fez uma rodada de conversas no Supremo. Ele procurou diversos ministros e, sobretudo, o presidente da Corte, Edson Fachin, a quem tem repetido que não haverá vingança nem revanche por parte da nova bancada conservadora. O PL terá 19 cadeiras e formará a maior bancada do Senado. Mesmo com o discurso de moderação, o STF segue monitorando o cenário.

Marinho não manteve contato com os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Para o campo conservador, Moraes é o símbolo do antibolsonarismo, e com um Senado de maioria alinhada ao PL, os passos dele passaram a ser observados de perto pela campanha de Flávio. Integrantes do Judiciário ouvidos pelo blog reconhecem que nem todo bolsonarista defende o impeachment de ministros. Ainda assim, os parlamentares dizem ter sido eleitos em boa medida por causa dessa pauta e afirmam que querem cumprir o que prometeram.

Outro fator decisivo será a escolha do próximo presidente do Senado, em fevereiro. Marinho aparece entre os nomes mais cotados e, segundo as fontes, deve largar à frente até do atual comandante, Davi Alcolumbre (União-AP). As campanhas de Flávio e de Lula (PT) avaliam que Alcolumbre perde força no cenário atual. Ligado à ala de Moraes no Supremo, ele poderia ser substituído por alguém que aumente a pressão sobre o ministro.

Um terceiro nome circula nos bastidores: Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e recém-eleito senador. Para as fontes, ele poderia representar uma liderança intermediária, capaz de equilibrar as forças. Há, no entanto, uma percepção compartilhada entre todos os interlocutores: no novo Senado, ninguém conseguirá escapar do debate sobre o Supremo.

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