Braskem enfrenta impasse com credores em negociação de dívida de US$ 11 bilhões

Detentores de títulos consideram insuficiente proposta de aporte de cerca de US$ 1 bilhão, enquanto negociação se aproxima de prazo importante

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A negociação para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões em dívidas da Braskem enfrenta resistência de parte dos credores. Segundo pessoas próximas às conversas ouvidas pela Bloomberg News, uma proposta que prevê aproximadamente US$ 1 bilhão em novos recursos não foi considerada suficiente pelos detentores de títulos internacionais.

As discussões ganham pressão com a chegada de 9 de outubro, data estabelecida como um dos marcos para que as partes avancem na definição dos termos básicos da reestruturação. No entanto, o fim desse prazo não provoca automaticamente uma mudança no processo. As negociações continuam em andamento e, até o momento, não há uma decisão final.

Aporte está no centro das conversas

De acordo com a Bloomberg, os acionistas apresentaram uma proposta de aproximadamente US$ 1 bilhão para garantir uma futura oferta de ações. O aporte estaria condicionado a uma redução relevante do endividamento da companhia.

No mês passado, os credores haviam pedido cerca de US$ 3 bilhões em capital novo aos acionistas Petrobras e IG4 Capital. A proposta encontrou resistência. Informações publicadas pela Reuters no início de outubro também apontavam que os acionistas preparavam uma contraproposta ao valor solicitado pelos credores.

A diferença entre os valores ajuda a explicar o impasse atual. Ainda segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, os detentores de títulos consideram que a nova proposta não atende às condições necessárias para fechar um acordo.

Recuperação extrajudicial começou em agosto

A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial em 24 de agosto. Na ocasião, credores que representavam 39,6% dos créditos sujeitos ao processo aderiram ao plano apresentado pela companhia.

O documento prevê, entre outros pontos, alongamento das obrigações, possíveis medidas de suporte de liquidez e eventual aporte ou garantia de capital pelos principais acionistas ou por terceiros. Os valores, prazos e condições, porém, ainda dependem de negociação e das aprovações necessárias.

A própria Braskem informou ao mercado que ainda não havia decisão sobre as condições finais da reestruturação e que continuava buscando uma solução negociada com os credores.

Recuperação judicial entra no radar

Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, caso as partes não avancem, uma maioria dos credores poderá buscar o encerramento do processo extrajudicial. Esse cenário poderia abrir caminho para outras alternativas, incluindo um eventual pedido de recuperação judicial.

Ainda assim, essa não é uma consequência automática do prazo de 9 de outubro. A recuperação extrajudicial protocolada pela companhia prevê um período mais amplo para a negociação de um plano atualizado, e nenhuma decisão sobre uma eventual recuperação judicial foi anunciada pela Braskem.

A companhia e a IG4 não comentaram as informações divulgadas pela Bloomberg. A Petrobras também não havia respondido ao pedido de posicionamento do veículo até a publicação da reportagem.

Assim, o futuro da reestruturação permanece em aberto. O ponto central agora é encontrar uma combinação entre redução da dívida, entrada de novos recursos e participação dos acionistas que consiga reunir apoio suficiente entre os credores.

Fonte: Bloomberg Línea