A recuperação do mercado de luxo segue encontrando obstáculos na China. A LVMH encerrou o terceiro trimestre de 2026 com desempenho abaixo das expectativas em sua principal divisão, enquanto o enfraquecimento do consumo chinês voltou a pressionar marcas como Louis Vuitton e Dior.
Entre julho e setembro, as vendas orgânicas da divisão de Moda e Artigos de Couro caíram 5%. O resultado contrariou as projeções de uma retração mais moderada. No conjunto, porém, a LVMH registrou crescimento orgânico de 1% no trimestre, com receita de cerca de € 18,5 bilhões. Nos nove primeiros meses do ano, o grupo somou € 57,1 bilhões em vendas.
O desempenho aumentou a pressão sobre as ações da companhia. Os papéis já acumulam queda próxima de 40% em 2026, colocando o grupo no caminho de seu pior desempenho anual desde a crise financeira de 2008.
China volta ao centro das preocupações
A Ásia, excluindo o Japão e com forte peso do mercado chinês, registrou retração de 5% no trimestre. Em sentido contrário, Estados Unidos, Europa e Japão apresentaram crescimento.
Além de fatores econômicos, a Louis Vuitton também enfrenta uma questão particular de imagem no país. A marca se envolveu em uma disputa judicial com a rede chinesa Molly Tea, acusada de utilizar um símbolo floral semelhante ao monograma da maison.
Em julho, um tribunal de Suzhou determinou que a empresa chinesa pagasse 10,3 milhões de yuans, cerca de US$ 1,5 milhão, por infração de marca registrada. A decisão provocou ampla discussão nas redes sociais chinesas e levou parte dos consumidores a manifestar apoio à Molly Tea.
A repercussão chegou aos resultados. Cécile Cabanis, diretora financeira da LVMH, reconheceu que é difícil medir exatamente o efeito da controvérsia, mas afirmou que a reação negativa teve impacto sobre a Louis Vuitton, especialmente no início do trimestre.
Um problema maior do que uma única marca
A desaceleração, no entanto, não se limita à disputa envolvendo a Louis Vuitton. O mercado chinês de luxo atravessa um período de menor confiança do consumidor, associado a um cenário econômico mais fraco e a novas pressões fiscais sobre consumidores de alta renda.
O momento também afeta outras empresas do setor. Em 2026, aproximadamente € 330 bilhões já foram eliminados do valor de mercado das principais companhias europeias de luxo, segundo estimativas citadas pela Reuters. Reuters
Dentro da própria LVMH, porém, o desempenho não foi uniforme. A divisão de Relógios e Joias, que inclui nomes como Tiffany & Co. e Bulgari, cresceu 6% no terceiro trimestre. A área de varejo seletivo, da qual a Sephora faz parte, avançou 8%.
Dior mostra sinais diferentes
A Christian Dior Couture também está no centro das atenções enquanto passa por uma renovação criativa. Segundo Cabanis, as primeiras coleções femininas de Jonathan Anderson tiveram boa recepção entre as clientes.
Os novos modelos de bolsas, entretanto, ainda avançam de forma mais gradual. Anderson assumiu a direção artística da maison com a missão de renovar sua linguagem e recuperar espaço em um mercado cada vez mais disputado.
Para a LVMH, o desafio agora vai além de controlar custos. A própria administração reconhece que medidas de eficiência ajudam a proteger margens, mas não resolvem rapidamente uma demanda mais fraca.
O terceiro trimestre deixa, portanto, um recado menos otimista sobre a recuperação do luxo: enquanto alguns mercados mostram resistência, a China, durante anos um dos principais motores de crescimento do setor, continua sendo a peça mais difícil dessa equação.
Fonte: Bloomberg Línea
