Tesla resgata Roadster com tecnologia da SpaceX e produção prevista para 2028

Esportivo elétrico reaparece quase dez anos após o primeiro anúncio com propulsores, sistema de sucção e promessa de aceleração abaixo de um segundo

Foto: Reprodução Instagram

Quase uma década depois de apresentar o projeto da segunda geração do Roadster, a Tesla voltou a colocar o esportivo no centro das atenções. O novo protótipo foi revelado no Texas com uma demonstração que misturou desempenho automotivo e soluções inspiradas no setor aeroespacial, incluindo propulsores desenvolvidos em colaboração com a SpaceX. A previsão atual da companhia é iniciar a produção em 2028.

O ponto mais incomum da apresentação foi justamente a capacidade do carro de sair do chão. Em uma das demonstrações, o Roadster usou propulsores de ar comprimido para realizar movimentos no ar e retornar ao solo. A versão mais extrema também foi apresentada com dez saídas distribuídas pela carroceria. Ainda assim, trata-se de uma demonstração de engenharia, e não de um automóvel voador convencional para uso cotidiano.

 

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Da pista para o ar

Segundo a Tesla, o conjunto utiliza tanques de ar de alta pressão e propulsores de gás frio. A empresa também apresentou um sistema de sucção instalado sob o veículo, capaz de aumentar a força que mantém o carro próximo ao solo.

Na demonstração, essa solução chegou a permitir que o protótipo percorresse uma estrutura invertida. A proposta, porém, está relacionada principalmente à aderência e ao desempenho em curvas e manobras de alta velocidade.

A fabricante também voltou a colocar a aceleração no centro do discurso sobre o modelo. Durante o evento, um protótipo equipado com propulsores realizou uma arrancada abaixo de um segundo para atingir velocidade próxima de 100 km/h, segundo os números divulgados pela própria Tesla.

Três versões para propostas diferentes

A nova geração deverá ser oferecida em três configurações. A Performance será a opção voltada ao uso em estrada e pista, com dois lugares e sistema de sucção para melhorar a aderência.

A versão Thrust acrescenta propulsores traseiros para ampliar a aceleração. Já a Rocket, mais radical, terá apenas um assento e dez propulsores distribuídos pela carroceria. A Tesla informou que essa configuração será oferecida somente por convite.

Entre os números divulgados estão velocidade máxima superior a 230 mph e autonomia estimada em cerca de 300 milhas por carga. A empresa, no entanto, ainda não apresentou uma ficha técnica completa para a versão de produção.

Um projeto marcado por adiamentos

O segundo Roadster apareceu pela primeira vez em 2017, quando a Tesla previa iniciar as entregas poucos anos depois. Desde então, o cronograma sofreu sucessivos adiamentos enquanto a empresa concentrou esforços no Model 3, Model Y, Cybertruck e, mais recentemente, em projetos ligados à direção autônoma, robotáxis e robótica.

O modelo também carrega uma importância simbólica para a companhia. O primeiro Roadster, lançado em 2008, marcou a entrada da Tesla no mercado automotivo. Agora, a nova geração assume novamente o papel de vitrine tecnológica, mesmo que sua contribuição financeira seja limitada, como o próprio Elon Musk reconheceu durante a apresentação.

Ainda há questões abertas antes de o esportivo chegar às ruas. Preço final, homologação e a presença dos propulsores nas versões efetivamente comercializadas continuam sem confirmação. Analistas e publicações especializadas também destacam que parte das soluções exibidas no protótipo pode enfrentar obstáculos regulatórios para uso em vias públicas.

Por enquanto, a data mais recente anunciada pela Tesla é 2028. Depois de anos de promessas, o Roadster reaparece menos como uma evolução convencional de um esportivo elétrico e mais como uma demonstração de até onde a empresa pretende levar a fronteira entre automóveis e tecnologia aeroespacial.

 

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