Revista Poder

Mercado reage à reeleição de Lula com dólar em forte alta e queda da Bolsa

Ibovespa acionou o circuit breaker nesta segunda-feira, enquanto investidores revisam expectativas para juros, câmbio e política fiscal

Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação nos mercados brasileiros nesta segunda-feira (26). O dólar chegou a ultrapassar R$ 5,60 durante a manhã, enquanto o Ibovespa registrou perdas superiores a 17% e teve as negociações interrompidas temporariamente.

Por volta das 11h30, a moeda americana avançava 9,72%, cotada a R$ 5,4783. Na máxima do dia, atingiu R$ 5,6048. Já o principal índice da Bolsa brasileira recuava 17,13%, aos 169.957 pontos.

O movimento representa uma mudança brusca em relação ao último pregão antes do segundo turno. Na sexta-feira (23), o dólar havia encerrado abaixo de R$ 5, enquanto o Ibovespa terminou o dia acima dos 205 mil pontos.

Bolsa interrompe negociações

A intensidade da queda levou a B3 a acionar o circuit breaker logo nas primeiras horas do pregão. O mecanismo suspende temporariamente parte das negociações quando o Ibovespa registra uma desvalorização muito acentuada. Nesta segunda-feira, a primeira interrupção durou 30 minutos.

A Bolsa também ampliou excepcionalmente os limites de oscilação de contratos futuros de índice, dólar e juros diante da volatilidade esperada para a sessão.

Foi a primeira ativação do circuit breaker desde 2020, quando o mercado enfrentou uma sequência de interrupções durante o início da pandemia de Covid-19. Segundo a B3, o mecanismo já foi utilizado em momentos como a crise asiática de 1997, a desvalorização do real em 1999 e a crise financeira de 2008.

Resultado eleitoral muda cenário dos investidores

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

A reação do mercado ocorre porque parte dos investidores havia ajustado suas posições nas últimas semanas diante da expectativa de uma vitória da oposição. Com o resultado das urnas, essas apostas começaram a ser revistas.

Agora, questões como controle dos gastos públicos, trajetória da dívida e definição da equipe econômica voltam ao centro das atenções.

A Reuters apontou que ações, títulos e o real sofreram forte pressão após o resultado eleitoral. Investidores também passaram a buscar sinais mais claros sobre a estratégia fiscal do próximo mandato.

Juros também entram no radar

A volatilidade não ficou restrita ao dólar e às ações. Os juros futuros, especialmente nos contratos de prazos mais longos, também registraram alta.

Esse mercado funciona como um termômetro das expectativas para a taxa de juros brasileira nos próximos meses e anos. Portanto, movimentos mais fortes podem refletir mudanças na percepção de risco e nas projeções para inflação e contas públicas.

O Boletim Focus também está no radar dos investidores. No entanto, as projeções divulgadas nesta segunda-feira foram coletadas antes da definição do segundo turno e ainda não incorporam a reação do mercado ao resultado eleitoral.

Cenário internacional adiciona incerteza

Além da política brasileira, o ambiente externo segue influenciando os ativos.

Os investidores acompanham nesta semana decisões de política monetária de grandes bancos centrais, entre eles o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão. As bolsas internacionais operavam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, enquanto o petróleo recuava após ganhos recentes.

No mercado doméstico, porém, o resultado da eleição deve continuar dominando as atenções. As próximas sinalizações sobre política econômica, composição da equipe de governo e controle das contas públicas serão determinantes para a direção dos ativos nos próximos pregões.

Fontes: g1, B3, Tribunal Superior Eleitoral e Reuters.

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