Revista Poder

Cuba celebra decisão da ONU contra embargo dos EUA, apesar de pressão do governo Trump

Resolução recebeu apoio de 130 países, incluindo o Brasil, mas registrou a menor adesão em 30 anos. Governo cubano denuncia impactos das sanções sobre a população

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Cuba comemorou a aprovação de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que pede o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha. A votação aconteceu na quarta-feira (28), em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países e ao endurecimento das sanções adotadas pelo governo de Donald Trump.

A Assembleia Geral aprovou o documento com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. O Brasil esteve entre os países que apoiaram a proposta. Apesar da aprovação, o resultado representou o menor apoio à medida nas últimas três décadas.

Em entrevista à Agência Brasil nesta quinta-feira (29), o embaixador cubano em Brasília, Victor Manuel Cairo Palomo, classificou a votação como uma vitória diplomática diante da pressão exercida pelos Estados Unidos.

Segundo o representante, a manutenção do apoio da maioria dos países demonstra que a comunidade internacional continua defendendo o encerramento das restrições econômicas impostas à ilha.

Pressão dos Estados Unidos reduz apoio à resolução

A resolução contra o embargo norte-americano integra a agenda da Assembleia Geral da ONU há mais de três décadas.

Em 2024, apenas Estados Unidos e Israel votaram contra o documento. Já em 2026, o número de países contrários chegou a 17, enquanto outros 25 preferiram se abster.

Entre as nações que rejeitaram a proposta neste ano estão Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Paraguai, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos, além dos próprios Estados Unidos e de Israel.

A mudança ocorreu após uma campanha diplomática do governo Trump para convencer aliados a modificar suas posições.

Embora tenha importância política, a resolução da ONU não obriga Washington a encerrar o embargo. A suspensão das restrições depende de decisões do governo e do Congresso norte-americano.

Cuba aponta impactos das sanções sobre a população

Durante a entrevista, Victor Manuel Cairo Palomo destacou as consequências das restrições econômicas para os serviços essenciais da ilha.

Segundo o embaixador, as medidas dificultam o acesso a medicamentos, alimentos, combustíveis e equipamentos necessários ao funcionamento dos hospitais.

O diplomata também atribuiu ao embargo o agravamento das dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde cubano.

De acordo com os números apresentados por ele, a taxa de mortalidade infantil passou de 4,4 para 9,9 mortes por mil nascidos vivos entre 2025 e 2026.

Além disso, Palomo afirmou que empresas internacionais evitam realizar operações comerciais com Cuba por receio de sofrer punições dos Estados Unidos.

Segundo o representante cubano, mais de 7 mil contêineres com mercadorias adquiridas pelo país permanecem retidos em portos internacionais devido às dificuldades de transporte.

Esses relatos mostram a posição do governo cubano sobre os efeitos das sanções. Entretanto, a crise econômica da ilha também envolve problemas estruturais internos, tema de divergência entre Havana e Washington.

Restrições ao petróleo agravam crise energética

Desde o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, Washington ampliou as medidas econômicas contra Cuba.

Entre as iniciativas está a pressão sobre países e empresas que fornecem petróleo ao território cubano.

A redução no abastecimento de combustível agravou os problemas energéticos da ilha, provocando interrupções prolongadas no fornecimento de eletricidade.

Na capital, Havana, os apagões podem ultrapassar dez horas, segundo informações apresentadas pela Agência Brasil.

A escassez de energia também compromete atividades industriais, transporte público, conservação de alimentos e serviços hospitalares.

Além disso, a diminuição dos voos internacionais e a saída de empresas estrangeiras ampliaram as dificuldades enfrentadas pelo turismo, uma das principais fontes de receitas do país.

O governo norte-americano, por sua vez, sustenta que suas medidas buscam pressionar o regime cubano e responsabiliza as políticas econômicas de Havana por parte da crise.

Governo cubano aposta em mudanças econômicas

Para enfrentar as dificuldades, Cuba iniciou reformas voltadas à ampliação da produção nacional e à diversificação de suas fontes de energia.

Entre as prioridades estão investimentos em energia solar e iniciativas para fortalecer a produção de alimentos, reduzindo a dependência de importações.

Segundo o embaixador, o país tem buscado apoio internacional, especialmente da China, para acelerar a transformação de sua matriz energética.

Palomo afirmou que ainda é cedo para medir os resultados das mudanças. No entanto, considera que as iniciativas podem contribuir para melhorar a capacidade produtiva da economia cubana.

A aprovação da resolução na ONU representa, portanto, uma vitória diplomática para Havana, mas também evidencia uma mudança no cenário internacional. Embora a maioria dos países continue contrária ao embargo, o crescimento dos votos contrários e das abstenções demonstra o avanço da pressão diplomática norte-americana.

Fonte: Agência Brasil

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