A Petrobras alcançou um novo recorde de produção de petróleo e gás natural no terceiro trimestre de 2026. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (28), em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia, provocado pelos impactos da guerra no Irã sobre os preços do petróleo e dos combustíveis.
Segundo o relatório operacional da estatal, a produção média chegou a 3,51 milhões de barris de óleo equivalente por dia entre julho e setembro. O volume representa um crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025. Além disso, houve avanço de 5,3% na comparação com o segundo trimestre deste ano.
O desempenho reforça a capacidade produtiva da companhia em um cenário de pressão sobre o abastecimento e os custos da energia no mercado global.
Novas plataformas impulsionam produção no pré-sal
O aumento da produção está relacionado, principalmente, à ampliação das operações em campos de águas profundas.
Entre os destaques estão as plataformas P-78 e P-79, localizadas no campo de Búzios, na Bacia de Santos. As unidades contribuíram para elevar o volume de petróleo extraído durante o trimestre.
Além disso, a plataforma Alexandre de Gusmão atingiu seu nível máximo de produção no campo de Mero, outro importante projeto do pré-sal brasileiro.
A Petrobras também registrou maior eficiência operacional e redução das perdas provocadas por interrupções para manutenção. Dessa forma, conseguiu ampliar a produção sem depender exclusivamente da entrada de novas estruturas.
Considerando apenas o petróleo produzido no Brasil, a companhia alcançou aproximadamente 2,83 milhões de barris por dia, superando as expectativas estabelecidas para o período.
Refinarias operam próximas da capacidade máxima
O desempenho positivo também chegou ao setor de refino. Durante o terceiro trimestre, as refinarias da Petrobras trabalharam com uma taxa média de utilização de 99% da capacidade.
Com isso, a estatal ampliou a oferta de derivados e atingiu um recorde trimestral na produção de diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e para diferentes atividades econômicas.
A produção de diesel alcançou 769 mil barris por dia. Já as vendas de derivados no mercado brasileiro somaram 1,85 milhão de barris diários, o maior volume desde o terceiro trimestre de 2021.
A elevada utilização das refinarias contribui para atender à demanda interna em um período de oscilações nos preços internacionais.
Guerra no Irã aumenta pressão sobre os combustíveis
Apesar dos recordes operacionais, a Petrobras enfrenta desafios relacionados à valorização do petróleo no mercado externo.
A guerra no Irã provocou perturbações no comércio internacional de energia e aumentou a preocupação com a oferta global. Nesse cenário, o barril do Brent passou a ser negociado acima de US$ 110, segundo informações divulgadas pela Bloomberg.
O avanço das cotações amplia a diferença entre os preços praticados pela Petrobras nas refinarias brasileiras e os valores internacionais de referência.
De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgado na quarta-feira (28), o diesel vendido pela estatal apresentava uma defasagem de R$ 3,76 por litro em relação à paridade de importação.
A diferença correspondia a 115%, segundo a entidade. Já a gasolina estava 24% abaixo dos preços internacionais.
Esses números aumentam a pressão do mercado por possíveis reajustes nos combustíveis.
Produção elevada fortalece posição da Petrobras
O crescimento operacional ocorre enquanto o governo brasileiro utiliza medidas tributárias e subsídios para tentar reduzir os impactos da alta dos combustíveis sobre os consumidores.
Nesse cenário, a ampliação da produção nacional e o funcionamento das refinarias em níveis elevados ajudam a reduzir parte da exposição do país às oscilações do mercado internacional.
Para o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, o volume de petróleo extraído no terceiro trimestre coloca a Petrobras acima do ritmo previsto para cumprir sua meta de produção em 2026.
Além disso, o desempenho estabelece uma base mais elevada para as operações de 2027.
Entretanto, a diferença entre os preços domésticos e internacionais continua sendo um ponto de atenção para a companhia. A evolução da guerra no Irã e das cotações do petróleo poderá influenciar as próximas decisões sobre combustíveis no mercado brasileiro.
Fontes: Bloomberg Línea
