O mercado financeiro revisou para cima as projeções de inflação, juros e dólar para 2026. Ao mesmo tempo, reduziu pela terceira semana consecutiva a expectativa de crescimento da economia brasileira. Os números foram divulgados nesta terça-feira (3), no Boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central.
Este é o primeiro levantamento após as eleições presidenciais. Segundo os dados apresentados pela Agência Brasil, os analistas esperam uma inflação de 5,22% ao final do ano, enquanto a taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar 2026 em 13,5%.
Além disso, a estimativa para o dólar subiu para R$ 5,34. Já a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,8% para 1,76%.
Inflação deve encerrar o ano em 5,22%
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, passou de 5,19% para 5,22%.
Há quatro semanas, a estimativa estava em 5,01%, o que mostra uma sequência de revisões para cima.
Para 2027, os analistas projetam inflação de 4,76%. Já para 2028, a expectativa é de 4%.
Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostram pressões sobre os preços.
Em outubro, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,32%. Apesar de representar uma desaceleração em relação aos 0,70% de setembro, o índice acumulou aumento de 4,62% em 12 meses.
A queda no preço da energia elétrica residencial contribuiu para conter a inflação no mês. O resultado ocorreu após a adoção da bandeira tarifária verde.
Por outro lado, os alimentos apresentaram aumentos expressivos. O tomate subiu 24,54%, seguido pela cebola, com alta de 13,63%, e pela batata-inglesa, que avançou 10,96%. O arroz também registrou aumento de 5,80%.
Selic pode terminar 2026 em 13,5%
Outra mudança no Boletim Focus envolve a taxa básica de juros.
A previsão para a Selic ao final de 2026 passou de 13,25% para 13,5%, retornando ao patamar registrado há quatro semanas.
Atualmente, a taxa está em 13,75%. Portanto, o mercado ainda considera a possibilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual até dezembro.
Para os próximos anos, as expectativas indicam uma trajetória de queda. Em 2027, a Selic deve chegar a 12,5%. Já em 2028, a projeção é de 11%.
A taxa básica de juros é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação.
Quando os juros estão elevados, empréstimos e financiamentos ficam mais caros. Como consequência, o consumo e os investimentos podem perder força.
Por outro lado, a redução da Selic tende a estimular a atividade econômica, embora também possa aumentar a pressão sobre os preços.
Previsão de crescimento do PIB cai novamente
O mercado financeiro também reduziu a expectativa para o desempenho da economia brasileira.
Pela terceira semana consecutiva, os analistas diminuíram a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
A estimativa passou de 1,8% para 1,76%.
O PIB representa a soma dos bens e serviços produzidos no país e funciona como um dos principais indicadores da atividade econômica.
Para 2027, o mercado prevê crescimento de 1,2%. Em 2028, a expectativa é de expansão de 1,8%.
A revisão indica uma perspectiva de avanço mais moderado da economia nos próximos anos, segundo as estimativas reunidas pelo Banco Central.
Dólar tem projeção elevada para R$ 5,34
O câmbio também passou por uma revisão significativa.
Na semana anterior, o mercado esperava que o dólar encerrasse 2026 cotado a R$ 5,05. Agora, a estimativa subiu para R$ 5,34.
Isso representa um aumento de R$ 0,29 na previsão para a moeda americana.
Para 2027 e 2028, os analistas projetam o dólar a R$ 5,40 ao final de cada ano.
A cotação da moeda americana influencia diferentes setores da economia brasileira. Entre eles estão o comércio exterior, os custos de produtos importados e os preços de insumos utilizados pela indústria.
Além disso, a valorização do dólar pode pressionar os preços de determinados produtos e serviços, dependendo das condições do mercado.
O que esperar da economia brasileira?
As novas projeções do Boletim Focus mostram um cenário de expectativas mais elevadas para inflação, juros e câmbio. Ao mesmo tempo, o mercado prevê crescimento econômico mais lento em 2026.
Apesar disso, os números representam estimativas de instituições financeiras e podem mudar conforme novos indicadores forem divulgados.
As próximas decisões do Banco Central, os resultados da inflação e o desempenho da atividade econômica serão importantes para acompanhar a evolução dessas expectativas.
Fonte: Agência Brasil
