Revista Poder

Assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, embaixador Celso Amorim, crítica relação e manifestos do governo argentino de Javier Milei

Foto Reprodução Instagram

 

O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, afirmou que a relação entre Brasil e Argentina vive o pior momento da história e atribuiu a crise ao presidente argentino, Javier Milei. A avaliação está em entrevista ao UOL publicada no último final de semana, na qual o diplomata recusou o confronto público e condicionou a recomposição das embaixadas a uma exigência única, o respeito mútuo.

“É o pior momento da relação Argentina-Brasil, mas não por nossa causa”, disse Amorim à jornalista Janaína Figueiredo. “Nós não fizemos nenhuma agressão à Argentina.”

O governo brasileiro sustenta que Milei ultrapassou a divergência ideológica. A Argentina foi o único país da América do Sul que não cumprimentou Lula pela vitória eleitoral, e o presidente argentino chamou o brasileiro de “presidiário” em ato de campanha realizado em São Paulo.

As duas embaixadas funcionam hoje sem embaixador. Brasília e Buenos Aires mantêm encarregados de negócios no comando das representações, o nível mais baixo previsto na carreira diplomática, desde agosto, quando o Itamaraty reagiu a ofensas de Milei e chamou o embaixador brasileiro para consultas.

Amorim diz que a medida não é permanente, mas afasta qualquer reversão no curto prazo. “Depende apenas de respeito mútuo”, afirmou.

Ele também recusou o duelo verbal proposto pelo vizinho. “Não queremos ficar em bate-boca”, disse, antes de completar que Milei pode “falar para as paredes ou para quem ele quiser”.

O atrito mais recente veio da passagem do senador Flávio Bolsonaro pela Argentina no trajeto dele para os Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios argentina para pedir explicações sobre o episódio. O porta-voz de Milei, Manuel Adorni, confirmou que o governo argentino ajudou o senador a escapar do que chamou de perseguição política.

Fonte: Uol

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