Revista Poder

Lula prepara pronunciamento após reeleição e deve anunciar ajuste fiscal para 2027

Presidente pretende assegurar o cumprimento das promessas de campanha, defender a responsabilidade fiscal e apresentar medidas para equilibrar as contas públicas durante o quarto mandato

Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer um pronunciamento em rede nacional no próximo domingo (8), no qual pretende apresentar as prioridades econômicas e políticas de seu quarto mandato. Entre os principais pontos previstos estão o compromisso com o ajuste fiscal, a preservação dos programas sociais e a garantia de que as promessas feitas durante a campanha eleitoral serão cumpridas.

Reeleito após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, Lula deve aproveitar o discurso para agradecer aos eleitores e sinalizar os rumos de sua próxima gestão.

Segundo informações divulgadas pelo g1 e pela GloboNews nesta quarta-feira (4), assessores presidenciais afirmam que o presidente pretende afastar a possibilidade de um chamado estelionato eleitoral, expressão utilizada quando um governante adota, depois de eleito, medidas contrárias aos compromissos assumidos durante a campanha.

O termo, apesar de frequente no debate político, não corresponde a um crime previsto na legislação brasileira.

Governo pretende combinar ajuste fiscal e programas sociais

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, Lula deve afirmar que buscará o equilíbrio das contas públicas sem abandonar as políticas sociais e os compromissos apresentados aos eleitores.

A equipe econômica trabalha com a perspectiva de cumprir as metas de resultado primário durante os próximos quatro anos, incluindo a geração de superávits.

O superávit primário ocorre quando as receitas do governo superam suas despesas, sem considerar os gastos com juros da dívida pública.

Para 2027, a meta fiscal proposta pelo governo prevê superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

A intenção é demonstrar que a administração federal pretende manter a responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, preservar as ações sociais consideradas prioritárias.

As medidas específicas que integrarão o ajuste ainda não foram detalhadas publicamente.

Lula discute medidas com ministros da área econômica

As negociações para a reorganização das contas públicas já estão em andamento dentro do governo.

Lula tem discutido propostas com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.

A expectativa é que parte das medidas seja encaminhada ao Congresso Nacional ainda em 2026, antes do início do novo mandato presidencial.

Durigan já procurou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para organizar reuniões e buscar apoio às propostas.

O ministro da Fazenda tem defendido que o governo trabalhe para alcançar o centro da meta fiscal, e não apenas permanecer dentro do intervalo de tolerância previsto nas regras fiscais.

A aprovação das medidas dependerá das negociações com os parlamentares e da construção de apoio político no Congresso.

Pronunciamento também deve abordar pacificação do país

Além das questões econômicas, Lula pretende dedicar parte de sua fala à necessidade de reduzir a polarização política após as eleições.

O presidente deve agradecer especialmente a mulheres, jovens e idosos pelo apoio recebido nas urnas e reafirmar o compromisso de governar para toda a população.

Segundo interlocutores presidenciais, a intenção é apresentar uma mensagem de pacificação nacional, em um cenário ainda marcado pelas disputas políticas entre governistas e opositores.

Assessores também avaliam que o novo mandato representa uma oportunidade para o presidente ampliar sua base de apoio e reduzir a influência política do bolsonarismo.

Essa avaliação, entretanto, é atribuída a integrantes do governo e não representa uma medida oficialmente anunciada.

O pronunciamento está previsto para domingo (8), mas o conteúdo definitivo dependerá da confirmação da Presidência da República.

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