O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da Oposição no Senado, anunciou nesta quarta-feira (4) sua candidatura à presidência da Casa para o biênio 2027–2028. A decisão foi oficializada após uma reunião da bancada do Partido Liberal, em Brasília, e coloca o parlamentar na disputa pelo comando do Congresso Nacional.
Marinho deverá enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articula sua reeleição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece entre os nomes cogitados para participar da eleição interna, prevista para fevereiro de 2027.
O lançamento ocorre após o PL ampliar sua representação no Senado nas eleições de outubro. A partir da próxima legislatura, a legenda contará com 29 parlamentares, tornando-se a maior bancada da Casa.
Apesar do peso numérico, o partido precisará negociar com outras siglas para garantir os votos necessários à eleição de seu candidato.
Rogério Marinho defende respeito à oposição
Durante o anúncio da candidatura, Rogério Marinho afirmou que pretende conduzir o Senado com respeito à proporcionalidade partidária, à democracia e às divergências políticas.
“Nós, se Deus quiser e o povo, que são os senadores, nos derem essa honra, seremos o presidente do Congresso Nacional. E vamos tratá-los de forma diferente. Vamos respeitar a proporcionalidade. Vamos respeitar a democracia. Vamos respeitar a dissidência!”, declarou.
O senador também afirmou que seu grupo político defende os princípios democráticos, em resposta às críticas dirigidas à oposição.
A candidatura marca a entrada formal do PL na disputa pela presidência do Senado, cargo que exerce influência direta sobre a organização dos trabalhos legislativos e a tramitação de propostas de interesse do governo e da oposição.
PL terá 29 senadores, mas precisa alcançar 41 votos
A eleição para a presidência do Senado será realizada na primeira semana de fevereiro de 2027, por votação secreta.
Para vencer, um candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos dos 81 senadores, o equivalente a pelo menos 41 apoios.
Com 29 integrantes previstos para a próxima legislatura, o PL terá a maior bancada, mas seus votos, mesmo que reunidos integralmente em torno de Marinho, não serão suficientes para garantir a presidência.
O senador precisará conquistar o apoio de pelo menos outros 12 parlamentares de diferentes partidos.
Davi Alcolumbre, por sua vez, já conta com apoios anunciados da federação União-PP e de integrantes do MDB e do PSD, segundo as articulações relatadas pelo g1.
O atual presidente também busca ampliar o diálogo com parlamentares ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com representantes de partidos de direita.
Quem é Rogério Marinho
Aos 62 anos, Rogério Marinho é economista e exerce seu primeiro mandato no Senado, após ter sido eleito pelo Rio Grande do Norte em 2022.
Antes de chegar à Casa, atuou como deputado federal e ocupou cargos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na administração federal, foi secretário de Previdência e ministro do Desenvolvimento Regional.
Marinho também teve participação na tramitação da reforma trabalhista de 2017, quando atuou como relator da proposta na Câmara dos Deputados.
Nas eleições presidenciais de 2026, coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno.
Atualmente, como líder da Oposição no Senado, participa da articulação política de parlamentares contrários ao governo federal.
Presidência do Senado concentra decisões estratégicas
A disputa envolve mais do que a condução das sessões legislativas. O presidente do Senado também preside o Congresso Nacional e possui atribuições importantes na definição da agenda parlamentar.
Entre suas responsabilidades está a organização das votações e, em conjunto com os líderes partidários, a definição das propostas que avançam para análise do plenário.
O ocupante do cargo também tem papel central na análise de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o procurador-geral da República.
As negociações para a próxima Mesa Diretora devem envolver ainda a distribuição de outros cargos, como a Primeira Vice-Presidência e as presidências de comissões estratégicas.
Entre elas estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), responsáveis pela análise de temas relevantes para o funcionamento institucional e econômico do país.
Com a candidatura de Marinho oficializada, o PL passa a participar diretamente das negociações pelo comando do Senado, enquanto Alcolumbre articula apoios para permanecer no cargo.
