Revista Poder

Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após crise no Ueno Bank

Colapso de banco digital afetou milhões de correntistas, provocou protestos e aprofundou a crise política no país

Foto Reprodução Instagram

O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment de Santiago Peña, após uma crise financeira e política desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno Bank. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a decisão foi tomada por unanimidade e encerra antecipadamente o mandato do presidente, que havia apresentado sua renúncia na quinta-feira (5).

A destituição ocorre três dias depois da intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank. A instituição financeira, que atendia cerca de 40% da população, teve contas e investimentos bloqueados após apresentar problemas de solvência. A medida afetou milhões de clientes e provocou protestos em diferentes regiões do país.

A crise ganhou dimensão política devido às antigas relações comerciais de Peña com o banco. Até 2025, o presidente possuía participação em um grupo empresarial ligado à instituição. Além disso, o Ueno Bank recebeu aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos relacionados ao sistema previdenciário paraguaio.

Renúncia não impediu avanço do impeachment

Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira, depois de perder o apoio de integrantes do Partido Colorado, legenda à qual pertence. No entanto, o Congresso decidiu dar continuidade ao processo de impeachment.

A distinção entre renúncia e destituição tem consequências jurídicas importantes. Pela legislação paraguaia, ex-presidentes que concluem o mandato ou deixam voluntariamente o cargo podem ter direito a uma cadeira vitalícia no Senado, acompanhada de determinadas garantias parlamentares.

Já a destituição por impeachment impede a obtenção desses benefícios.

Durante o julgamento, a defesa solicitou um prazo adicional de 72 horas para analisar as acusações e os documentos apresentados pelos deputados responsáveis pelo processo. O pedido, porém, foi rejeitado pelos senadores.

Os advogados de Peña questionaram a condução do julgamento e anunciaram a intenção de contestar o procedimento perante instâncias internacionais de direitos humanos.

Crise bancária provocou instabilidade no país

O colapso do Ueno Bank também atingiu o funcionamento de atividades econômicas no Paraguai. Com parte significativa da população sem acesso imediato às próprias economias, comerciantes e famílias enfrentaram dificuldades para realizar pagamentos e movimentar recursos.

A intervenção do Banco Central ocorreu após a identificação de problemas financeiros na instituição. Além disso, autoridades paraguaias passaram a investigar possíveis irregularidades na administração do banco e na aplicação de recursos públicos.

A crise também provocou mudanças na direção do sistema financeiro. O então presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, deixou o cargo em meio às repercussões do caso.

Com o impeachment de Santiago Peña, o Paraguai enfrenta agora o desafio de reorganizar sua liderança política enquanto busca restabelecer a confiança no sistema bancário e garantir o acesso dos correntistas aos recursos bloqueados.

Fonte: O Globo

Sair da versão mobile