Nesta segunda-feira (7), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar aplicar tarifas adicionais de 10% a partir de 1º de agosto sobre países que se alinharam à “política antiamericana dos BRICS”, membros importantes do bloco responderam às declarações.
Reações dos países do BRICS
A Rússia afirmou que o BRICS nunca teve a intenção de prejudicar outros países. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, destacou que o grupo compartilha uma visão comum baseada em interesses próprios e que sua cooperação “nunca foi e nunca será direcionada contra terceiros”.
A China, por meio do Ministério das Relações Exteriores, expressou oposição ao uso de tarifas como forma de pressão. Mao Ning, porta-voz do ministério, declarou em coletiva que “o uso de tarifas não beneficia ninguém”.
Por sua vez, a África do Sul reforçou que não é antiamericana e permanece comprometida em negociar um acordo comercial com os EUA. O porta-voz do Ministério do Comércio, Kaamil Alli, afirmou que as conversas com Washington são “construtivas e frutíferas” e que aguardam uma comunicação formal dos EUA.
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa também declarou que o BRICS não busca competir com outras potências, mas sim atuar de forma complementar e em defesa dos interesses dos povos.
Além disso, a Malásia, que se tornou país parceiro do BRICS em 2024, afirmou que mantém uma política externa independente, focada na facilitação do comércio, sem alinhamentos ideológicos.
Brasil rebate declarações de Trump
A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, respondeu às declarações do presidente norte-americano em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o período em que o Brasil esteve submisso aos interesses dos EUA foi durante o governo Bolsonaro. Gleisi afirmou ainda que Bolsonaro responde na Justiça por crimes e que o país respeita o devido processo legal, como ocorre no Supremo Tribunal Federal.
Polêmica sobre as tarifas e contexto
Horas depois da divulgação da declaração final da cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, Trump ameaçou impor tarifas extras de 10% a partir de 1º de agosto para países que seguem a “política antiamericana” do bloco. Desde sua eleição em 2024, Trump já vinha alertando o BRICS, principalmente sobre o uso de moedas locais para o comércio e possível abandono do dólar, chegando a mencionar tarifas de até 100% em caso de rejeição à moeda americana.
Na declaração final da cúpula, os líderes do BRICS defenderam o uso de moedas locais para transações internas e criticaram as tarifas impostas pelos EUA.
O governo Lula ainda busca negociar um acordo comercial com os Estados Unidos antes do prazo final dado por Trump, que expira em 9 de julho.
Cúpula do BRICS chega ao fim e destaca compromissos
A cúpula do BRICS termina hoje, 7 de julho, no Rio de Janeiro, com foco em temas como saúde, meio ambiente e financiamento climático. O presidente Lula entregará a presidência rotativa do bloco à Índia.
Os líderes realizarão mais uma sessão plenária para discutir meio ambiente, a COP30 e saúde global. Até o fim do dia, devem divulgar declarações finais sobre financiamento climático e uma parceria para eliminar doenças socialmente determinadas.
Alguns presidentes, como os da China, Rússia e Irã, não estiveram presentes pessoalmente, participando por representantes ou videoconferência.
Declarações finais e avanços políticos e tecnológicos
Os 11 países membros do BRICS divulgaram a “Declaração do Rio de Janeiro”, que defende uma reforma ampla da ONU, com ênfase na modernização do Conselho de Segurança. O bloco também reafirmou compromisso com a solução de dois Estados para o conflito Palestina-Israel, apesar da oposição histórica do Irã.
O texto manifestou repúdio a ataques contra o Irã e a Rússia, sem citar diretamente os responsáveis ou os Estados Unidos.
Na área tecnológica, o BRICS defende uma governança internacional da inteligência artificial (IA) e o direito dos países de regulamentar esse mercado. O documento também apoia o pagamento de direitos autorais por conteúdos usados no treinamento de modelos de IA, tema que empresas como Google e OpenAI contestam, alegando que a exigência pode frear a inovação.
Fonte: CBN