Trump eleva o tom contra Maduro, e presidente venezuelano reage com críticas aos EUA

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Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Venezuela, Nicolás Maduro, protagonizaram nesta segunda-feira uma nova rodada de declarações hostis que evidencia o agravamento das tensões entre os dois países. Em discursos separados, ambos trocaram críticas diretas, reforçando o clima de confronto diplomático que marca a relação bilateral.

Durante um evento na Casa Branca, no qual anunciou uma nova classe de navios de guerra batizada com seu próprio nome, Trump afirmou que a atitude mais sensata que Maduro poderia tomar seria deixar o poder. Ao ser questionado se seu governo pretende derrubar o líder venezuelano, o presidente americano respondeu que a decisão estaria nas mãos de Maduro, acrescentando que insistir em uma postura de enfrentamento teria consequências graves.

Poucas horas depois, Maduro rebateu as declarações em um evento voltado a produtores rurais na Venezuela. Sem citar diretamente ameaças, o presidente venezuelano sugeriu que Trump deveria concentrar seus esforços nos problemas internos dos Estados Unidos, em vez de direcionar grande parte de seus discursos ao país sul-americano. Para Maduro, o foco recorrente da Casa Branca na Venezuela revela uma obsessão que desvia a atenção de questões domésticas americanas.

A fala de Trump ocorreu após sua secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, declarar publicamente que Maduro não pode permanecer no poder. Em entrevista à Fox News, Noem afirmou que as ações recentes dos Estados Unidos, incluindo a interceptação de navios vindos da Venezuela, têm como objetivo enviar uma mensagem clara à comunidade internacional sobre a intolerância a atividades ilegais atribuídas ao governo venezuelano.

Apesar do tom adotado por integrantes do governo, a Casa Branca evita reconhecer oficialmente que a ofensiva militar iniciada no Caribe tenha como meta uma mudança de regime em Caracas. Desde agosto, Trump e seus aliados sustentam que a operação está concentrada no combate ao narcotráfico e na repressão à entrada de drogas em território americano.

Ainda assim, declarações de figuras próximas ao presidente alimentam dúvidas sobre essa narrativa. Em entrevista recente à revista Vanity Fair, Susie Wiles, chefe de Gabinete da Casa Branca, indicou que a saída de Maduro do poder estaria entre os objetivos centrais da atual estratégia dos Estados Unidos para a região.

No fim de semana, após a divulgação de um vídeo confirmando uma nova interceptação de petroleiros, o governo venezuelano reagiu com dureza. Em nota oficial, Caracas classificou a ação americana como um grave episódio de pirataria internacional, elevando o tom da crítica e reforçando o discurso de violação da soberania nacional.