O futuro das ações dos Estados Unidos operaram com volatilidade na manhã desta segunda-feira (26), em meio a um movimento mais amplo de enfraquecimento do dólar nos mercados globais. A moeda norte-americana registrou seu maior recuo em quatro meses, enquanto o ouro avançou e ultrapassou a marca histórica de US$ 5.000 por onça, refletindo o aumento da busca por ativos de proteção.
O cenário nos mercados de câmbio ganhou atenção após sinais de que Japão e Estados Unidos podem ter coordenado verificações das taxas de câmbio. A medida é vista como um possível passo preparatório para uma intervenção direta no iene, depois que a moeda japonesa atingiu a menor cotação em 18 meses no início de janeiro.
A possibilidade de uma ação conjunta entre Washington e Tóquio elevou a volatilidade cambial. Analistas avaliam que uma coordenação entre as duas maiores economias poderia ampliar o poder das autoridades para conter movimentos especulativos, especialmente em um momento de maior sensibilidade dos mercados globais.
Para Daniel Baeza, vice-presidente sênior da Frontclear, o principal sinal observado pelos investidores é justamente a coordenação de políticas. Segundo ele, se o mercado interpretar esse movimento como uma maior tolerância a condições financeiras mais frouxas — especialmente em combinação com uma postura mais cautelosa do Federal Reserve — o dólar pode continuar pressionado no curto prazo.
Nesse contexto, os títulos do Tesouro dos EUA registraram alta, à medida que investidores reforçaram apostas em cortes de juros ao longo de 2026. O movimento ganhou força após Rick Rieder, da BlackRock, passar a ser apontado como um dos principais nomes cotados para assumir a presidência do Federal Reserve.
Outros destaques corporativos também movimentaram o radar dos mercados. O SoftBank interrompeu as negociações para a aquisição da operadora de data centers Switch, avaliada em cerca de US$ 50 bilhões, freando os planos de expansão de infraestrutura de inteligência artificial liderados por Masayoshi Son. Já o Morgan Stanley anunciou planos de ampliar sua atuação na Ásia, apostando em um ambiente de negócios mais favorável e em economias com menor grau de regulação.
No setor automotivo, a Volkswagen indicou que pode desistir da construção de uma fábrica da Audi nos Estados Unidos, caso as tarifas sobre automóveis não sejam reduzidas. Segundo o CEO Oliver Blume, as tarifas já custaram cerca de US$ 2,5 bilhões à montadora apenas nos primeiros nove meses de 2025.
O conjunto desses fatores manteve os mercados globais em compasso de espera nesta segunda-feira, com investidores atentos tanto às movimentações cambiais quanto às sinalizações de política monetária e geopolítica.
Fonte: Bloomberg Línea