O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã e afirmou que está disposto a autorizar uma operação militar caso o governo iraniano não aceite negociar um novo acordo nuclear com Washington. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (28), em meio ao envio de forças militares americanas à região.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que uma “enorme armada” dos Estados Unidos segue em direção ao Irã. Segundo ele, a frota é liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln e supera, em escala, a mobilização recente feita na Venezuela. O presidente citou a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro como exemplo da capacidade de ação rápida do país.
“Assim como no caso da Venezuela, estamos prontos para cumprir a missão rapidamente, com velocidade e violência, se necessário”, escreveu Trump. Ele também relembrou a ofensiva realizada em parceria com Israel, em junho do ano passado, quando instalações nucleares iranianas foram bombardeadas.
O presidente americano afirmou ainda que um eventual novo ataque seria “muito pior” e alertou que “o tempo está se esgotando” para um acordo. Segundo Trump, o objetivo dos Estados Unidos é alcançar um entendimento que impeça o Irã de desenvolver armas nucleares, mas sem descartar o uso da força.
Resposta iraniana e recado à ONU
Após as declarações, a missão do Irã junto à Organização das Nações Unidas (ONU) reagiu oficialmente. Em comunicado, afirmou que o país está disposto ao diálogo, desde que baseado no respeito mútuo, mas garantiu que responderá a qualquer agressão.
“O Irã está pronto para o diálogo com base em interesses comuns. No entanto, se for pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes”, afirmou a missão.
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ainda não comentou diretamente as novas ameaças, mas o governo segue em estado de alerta diante da movimentação militar americana.
Chanceler nega negociações sob ameaça
Mais cedo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Teerã não negociará sob ameaças militares. Ele também negou declarações feitas por Trump no dia anterior, segundo as quais o Irã teria procurado os Estados Unidos para negociar.
De acordo com Araghchi, não houve qualquer contato recente com o enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff. “Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não é eficaz nem útil. Para que as negociações avancem, é preciso abandonar exigências excessivas e linguagem coercitiva”, afirmou.
Escalada de tensão e cenário regional
Desde o envio de um porta-aviões americano ao Oriente Médio, autoridades iranianas afirmam se preparar para o “pior cenário”, incluindo a possibilidade de uma guerra em larga escala. Na semana passada, Trump disse que a movimentação militar ocorre “por precaução” e que acompanha a situação de perto.
No início do mês, o presidente americano já havia feito ameaças ao Irã em razão da repressão violenta a protestos no país. Segundo organizações de direitos humanos, ao menos 6.159 pessoas morreram desde o início das manifestações.
O aumento das tensões reacende temores de uma escalada militar no Oriente Médio, em um momento de instabilidade regional e negociações diplomáticas fragilizadas.
Fonte: Globo