O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 28 de janeiro, durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá, que a violência e o recurso militar não resolvem os problemas históricos da região. No discurso, ele defendeu que a diplomacia deve substituir intervenções armadas como forma de buscar estabilidade e progresso entre os países latino-americanos.
Lula afirmou que “o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério”. Para ele, a divisão do mundo em zonas de influência e a busca por recursos estratégicos por meio de ações militares são retrocessos que não contribuem para o desenvolvimento econômico ou social dos povos.
O presidente destacou que o princípio da boa vizinhança, exemplificado em políticas passadas dos Estados Unidos, deveria ser recuperado para fomentar a cooperação entre as nações do continente. Ele citou o presidente Franklin Delano Roosevelt como referência histórica nesse sentido, ao mencionar que políticas de aproximação e entendimento resultaram em parcerias mais sólidas no passado.
O discurso de Lula ocorreu em um contexto de tensões crescentes na América Latina após a recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. O episódio tem sido amplamente criticado por líderes regionais como uma violação da soberania e do direito internacional, e lideranças latino-americanas debateram a resposta conjunta a essa operação.
O presidente brasileiro também fez críticas à falta de unidade entre os países latino-americanos ao enfrentar desafios comuns. Ele afirmou que a região ainda se encontra dividida por disputas ideológicas e defendeu a construção de mecanismos institucionais que permitam conciliar interesses diversos sem recorrer à força. Para Lula, essa integração é essencial para consolidar a América Latina e o Caribe como uma zona de paz e cooperação.
O evento no Panamá reuniu líderes políticos, representantes do setor econômico e autoridades regionais para debater temas estratégicos, incluindo o papel da América Latina no cenário geopolítico atual e as formas de fortalecer a cooperação diante de crises internas e externas.