Soja brasileira ganha espaço na China após trégua com os EUA

Após cumprir meta de compras dos Estados Unidos, China amplia pedidos do Brasil, impulsionada por custos mais baixos e margens melhores

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A China, maior importadora de soja do mundo, voltou a ampliar as compras do grão brasileiro após cumprir um volume inicial de importações dos Estados Unidos. O principal fator por trás da decisão é o custo mais baixo da soja do Brasil, que garante margens mais favoráveis às esmagadoras chinesas.

O movimento ocorre em meio à trégua comercial entre Pequim e Washington e reforça a importância estratégica do Brasil no fornecimento global da oleaginosa.

Compras aumentam após meta com os EUA

Na última semana, importadores chineses reservaram ao menos 25 cargas de soja brasileira. Os embarques estão previstos, principalmente, para os meses de março e abril. Segundo traders ouvidos pela Bloomberg, as condições de preço impulsionaram a decisão.

Ao mesmo tempo, empresas estatais chinesas reduziram a recepção de cargas americanas. Essa retração aconteceu logo após o país cumprir a meta inicial de compras acordada com os Estados Unidos.

Custo define a preferência pelo Brasil

A soja americana entregue à China apresenta atualmente um prêmio elevado em relação ao produto brasileiro. Esse diferencial torna o processamento menos atrativo e pode gerar prejuízos às esmagadoras, segundo operadores do mercado.

“Faz todo o sentido aumentar as compras de soja brasileira depois de cumprir a promessa feita aos Estados Unidos. Os suprimentos do Brasil são muito mais baratos”, afirmou Meng Zhangyu, analista da Wuchan Zhongda Futures.

A soja no centro da disputa comercial

A oleaginosa segue como um dos principais pontos de tensão nas relações comerciais entre China e Estados Unidos. Em momentos de maior atrito, Pequim evitou as cargas americanas. Depois, retomou as compras como parte de uma reaproximação mais ampla.

Nos últimos três meses, a China importou cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA. O volume atendeu ao compromisso firmado em novembro pelo governo norte-americano.

Perspectivas para os próximos anos

Em um horizonte mais longo, os Estados Unidos afirmam que a China se comprometeu a comprar ao menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Especialistas, no entanto, avaliam que o país seguirá alternando fornecedores conforme preços, tarifas e estratégias de segurança alimentar.

Apesar de ter reduzido algumas tarifas e suspendido restrições a exportadores dos EUA, a China ainda aplica taxas em torno de 13% sobre os embarques americanos. Analistas indicam que novos ajustes serão necessários para estimular uma retomada mais ampla das compras.

Enquanto isso, o Brasil se consolida como o fornecedor mais competitivo no momento. A combinação de preços mais baixos, oferta abundante e previsibilidade logística reforça o papel do país como parceiro estratégico da China no mercado global de grãos.