O tratado nuclear New START chegou oficialmente ao fim nesta quinta-feira (5), marcando o encerramento de mais de uma década de limites formais aos arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares do planeta, Estados Unidos e Rússia. A expiração do acordo provocou reações imediatas de governos, organismos internacionais e líderes religiosos, em meio a alertas sobre o risco de uma nova corrida armamentista.
Em vigor desde 2011, o New START estabelecia limites para o número de ogivas nucleares estratégicas prontas para uso, além de regras para a implantação de mísseis balísticos intercontinentais e sistemas capazes de lançar armamentos nucleares. Com o fim do tratado, pela primeira vez em mais de meio século não há restrições vinculantes entre Washington e Moscou nesse campo.
Rússia lamenta e fala em novo cenário global
O Kremlin voltou a lamentar o fim do acordo, mas sinalizou que o país já se prepara para um cenário sem limites formais. O vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitri Medvedev, afirmou que “o inverno está chegando”, em uma declaração interpretada como provocação aos Estados Unidos. Dias antes, o governo russo havia afirmado estar pronto para um “novo mundo” sem restrições a armas nucleares.
Estados Unidos indicam possível retomada de negociações
O governo do presidente Donald Trump não divulgou um posicionamento oficial imediato após a expiração do tratado. No entanto, uma fonte da Casa Branca indicou que “haverá notícias” sobre o New START, sugerindo a possibilidade de novas negociações.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que qualquer novo acordo precisaria incluir também a China, citando a rápida expansão do arsenal nuclear chinês. Segundo ele, um tratado bilateral já não refletiria o atual equilíbrio estratégico global.
China e União Europeia pedem diálogo e moderação
Pequim lamentou o fim do acordo e expressou preocupação com os impactos na ordem nuclear internacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, pediu que os Estados Unidos adotem uma postura ativa e retomem o diálogo com a Rússia.
A União Europeia também se manifestou, solicitando moderação a todas as partes envolvidas e alertando para os riscos de escalada em um momento de instabilidade global.
ONU alerta para momento grave
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, classificou o fim do New START como um “momento grave” para a paz e a segurança internacional. Segundo ele, o mundo passa a viver uma situação inédita desde a Guerra Fria, sem qualquer limite formal aos arsenais nucleares estratégicos das duas maiores potências.
Apelo do Vaticano
O papa Leão XIV também se pronunciou, pedindo que Estados Unidos e Rússia retomem o diálogo e renovem um acordo nuclear. Para o pontífice, o cenário atual exige todos os esforços possíveis para evitar uma nova corrida armamentista e preservar a segurança global.
O fim do New START amplia as incertezas no cenário internacional e reacende o debate sobre a necessidade de novos mecanismos de controle de armas em um mundo cada vez mais multipolar.
Fonte: Globo