As redes sociais se consolidaram como o principal ambiente de disseminação de golpes digitais no Brasil. Um levantamento da Serasa Experian mostra que 78% dos anúncios, páginas e perfis fraudulentos identificados ao longo de 2025 estavam concentrados nessas plataformas, refletindo a facilidade de propagação e alcance desse tipo de conteúdo.
Ao todo, foram registradas cerca de 37,8 mil tentativas de fraude no período, com uma média mensal que variou entre 3 mil e 4 mil ocorrências. O volume elevado reforça a recorrência desse tipo de ameaça no dia a dia de consumidores e empresas, especialmente em ambientes digitais de grande circulação.
Segundo a Serasa Experian, a maior parte dos conteúdos irregulares foi retirada do ar em um prazo relativamente curto. Em 98% dos casos, a remoção ocorreu em até quatro dias após a identificação, resultado atribuído ao monitoramento contínuo e à atuação conjunta com as plataformas digitais.
Os anúncios fraudulentos lideraram as ocorrências, representando mais da metade dos registros. Em muitos casos, eles usam ofertas atrativas ou preços muito abaixo do mercado para chamar a atenção do público. Na sequência aparecem os perfis falsos, que funcionam como porta de entrada para direcionar usuários a páginas, formulários ou aplicativos que imitam comunicações de marcas conhecidas.
De acordo com a empresa, a própria dinâmica das redes sociais contribui para esse cenário. Mecanismos de impulsionamento e compartilhamento aceleram a circulação de conteúdos enganosos, muitas vezes antes que sejam identificados e bloqueados. Além disso, fraudadores costumam recriar anúncios e contas rapidamente, com pequenas alterações visuais ou de linguagem, o que dificulta o combate imediato.
Para enfrentar esse tipo de crime, a Serasa Experian mantém equipes dedicadas ao monitoramento do uso indevido de marcas e à identificação de sinais digitais de fraude. O diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da companhia, Rodrigo Sanchez, destaca que a resposta precisa ser rápida e constante diante de um ambiente que muda em tempo real.
O estudo também reforça a importância da cooperação entre plataformas, empresas e usuários para reduzir a reincidência dos golpes. Para os consumidores, a principal orientação é desconfiar de mensagens urgentes e ofertas excessivamente vantajosas, estratégias comuns em anúncios falsos. Já para as empresas, a recomendação é investir em proteção contínua da marca, com monitoramento permanente e protocolos internos que agilizem pedidos de remoção e diminuam o tempo de exposição a fraudes.