Governo Milei enfrenta pressão nas ruas durante votação de reforma trabalhista

Projeto já aprovado por margem apertada na Câmara mobiliza sindicatos e divide parlamentares em Buenos Aires

Foto: Reprodução/ REUTERS/Agustin Marcarian/G1

O Senado da Argentina iniciou a discussão da reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei em meio a um cenário de forte tensão política e mobilização social. A proposta, considerada estratégica para o governo, chega à Casa após aprovação apertada na Câmara dos Deputados e enfrenta resistência nas ruas da capital.

Desde as primeiras horas do dia, sindicatos e movimentos sociais organizaram paralisações e atos no centro de Buenos Aires. Convocada pela Frente Sindical Unida, a greve reúne categorias do transporte, servidores públicos e representantes de diferentes setores produtivos. Manifestantes marcharam em direção ao Congresso, onde a sessão promete se estender pela noite.

O texto em debate sofreu alterações para viabilizar apoio parlamentar. Mesmo assim, permanece como uma das iniciativas mais ambiciosas do Executivo desde o início do mandato. Para o governo, a reforma busca atualizar normas consideradas rígidas, reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego. Já a oposição e centrais sindicais afirmam que as mudanças enfraquecem garantias históricas dos trabalhadores.

Entre os principais pontos mantidos estão a ampliação do período de experiência, a flexibilização das férias e da jornada diária, além de novas regras para indenizações em caso de demissão. O projeto também redefine parâmetros para greves em setores essenciais, exigindo funcionamento mínimo durante paralisações.

Alguns trechos da versão original foram retirados durante a tramitação na Câmara. Ficaram de fora, por exemplo, propostas que permitiam o pagamento parcial de salários em benefícios não monetários e a quitação por meio de plataformas digitais. Esses ajustes foram decisivos para consolidar maioria na etapa anterior.

No Senado, o clima é de incerteza. Parlamentares avaliam se mantêm o texto como veio da Câmara ou se promovem novas mudanças. Caso haja alterações, a matéria retorna para nova análise dos deputados. Se for aprovada sem modificações, seguirá para sanção presidencial.

Enquanto o debate avança no plenário, o entorno do Congresso permanece cercado por faixas, palavras de ordem e forte esquema de segurança. A votação é vista como um teste político para Milei e pode redefinir o equilíbrio entre governo, oposição e sindicatos nos próximos meses.