Suspeita de fraude do Banco Master preocupa governo e mercado de carbono

Secretaria do Ministério da Fazenda acompanha caso e trabalha em regulamentação para evitar impacto a investidores

O episódio envolvendo fundos ligados ao Banco Master no mercado de carbono acendeu sinais de alerta no governo brasileiro. A secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, classificou as suspeitas como graves e destacou que as investigações estão sendo acompanhadas de perto para evitar que o caso afete a confiança de investidores no setor.

A controvérsia envolve alegações de que créditos de carbono simulados, originados de áreas da União na Amazônia, teriam sido incluídos em fundos do banco, inflando seu valor em bilhões de reais. Segundo relatos, parte dessas operações utilizou dados e metodologias irreais para estimar estoques de carbono, configurando, na avaliação do governo, uma fraude financeira.

“Não queremos que suspeitas como essas contaminem o mercado voluntário de carbono, onde existem empresas sérias atuando”, afirmou Reis. A secretária ressaltou a importância da criação de regras claras, sistemas de registro e órgãos gestores permanentes para prevenir irregularidades semelhantes no futuro.

Atualmente, o mercado de carbono no Brasil é voluntário, com iniciativas privadas definindo metas de sustentabilidade. O governo, entretanto, trabalha na implantação de um mercado regulado, com normas específicas, metodologias padronizadas e critérios claros de compensação de emissões. Um grupo de trabalho dedicado às operações em áreas da União também analisará casos de fraude e irregularidades.

O caso do Master ganhou repercussão em janeiro, quando reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontou que operações envolvendo créditos de carbono de terras públicas teriam gerado uma valorização de R$ 45,5 bilhões para empresas ligadas ao banco. Na época, Daniel Vorcaro, acionista controlador do Master, negou participação na gestão dos fundos.

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil ocorreu em novembro de 2025, devido a graves violações do sistema financeiro e problemas de liquidez. Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal, que o apontou como líder de organização criminosa, decisão confirmada pelo Supremo Tribunal Federal.

O governo brasileiro projeta que a regulamentação do mercado de carbono poderá trazer impacto positivo à economia, com potencial para aumentar o PIB em até 5,8% até 2040 e reduzir emissões em 20% nos setores regulados. Entre os participantes do comitê consultivo do mercado estão entidades como Confederação Nacional da Indústria, Confederação da Agricultura e Pecuária, Unica e Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás.