Os países integrantes da Agência Internacional de Energia decidiram liberar um volume inédito de petróleo de suas reservas estratégicas com o objetivo de reduzir a pressão sobre os preços globais dos combustíveis. Ao todo, mais de 30 nações concordaram em disponibilizar cerca de 400 milhões de barris de petróleo ao mercado internacional.
A medida ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, que voltou a impactar o comércio mundial de energia. Um dos fatores que contribuiu para a escalada dos preços foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás natural no planeta.
A decisão representa a maior liberação coordenada de reservas já realizada pela agência. O recorde anterior havia sido registrado em 2022, após a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando cerca de 182,7 milhões de barris foram colocados no mercado para conter a volatilidade dos preços.
Dados da agência indicam que aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e derivados atravessaram diariamente o Estreito de Ormuz em 2025. Esse volume corresponde a uma parcela significativa do fluxo energético global, considerando que a produção mundial gira em torno de 100 milhões de barris por dia.
Os países membros da AIE mantêm atualmente cerca de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos emergenciais, além de aproximadamente 600 milhões de barris armazenados pela indústria sob exigência governamental. A forma e o ritmo de liberação dessas reservas ainda serão definidos pelas autoridades.
A iniciativa contou com forte incentivo dos Estados Unidos, que defenderam a utilização dos estoques para reduzir a pressão sobre o mercado internacional. Nações como Alemanha, Áustria e Japão já anunciaram que participarão do esforço coletivo.
O governo japonês informou que pretende contribuir com cerca de 80 milhões de barris provenientes de reservas públicas e privadas. Já o Reino Unido indicou que poderá liberar aproximadamente 13,5 milhões de barris dentro do plano conjunto.
Especialistas avaliam que, além do volume total anunciado, o ritmo diário de liberação das reservas será determinante para o impacto sobre os preços. Caso 100 milhões de barris sejam distribuídos ao longo de um mês, o mercado receberia cerca de 3,3 milhões de barris por dia.
Ainda assim, esse montante permanece abaixo da interrupção estimada no fluxo de petróleo causada pela crise na região do Estreito de Ormuz, considerada uma das rotas energéticas mais estratégicas do mundo.