Governo apresenta ‘Plano Clima’ com metas para redução de emissões até 2035

Estratégia reúne ações para diferentes setores da economia e prevê medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas

Apresentação do Plano Clima ocorre durante coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta segunda-feira (16). (Foto: Reprodução/ Fernando Donasci/MMA)

O governo federal apresentou nesta segunda-feira (16), em Brasília, as diretrizes do Plano Clima, conjunto de políticas públicas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e à preparação do país para os impactos das mudanças climáticas nas próximas décadas.

A estratégia foi detalhada pelo Ministério do Meio Ambiente e está estruturada em dois eixos principais. O primeiro reúne ações de mitigação, com foco na diminuição das emissões em áreas como energia, transportes, indústria e uso da terra. O segundo concentra medidas de adaptação voltadas a reduzir vulnerabilidades de cidades, infraestrutura e populações diante de eventos climáticos extremos.

Além desses pilares, o plano incorpora iniciativas transversais ligadas ao financiamento de políticas ambientais, governança institucional, produção de conhecimento científico e monitoramento das ações previstas.

Entre os objetivos anunciados está a meta de reduzir entre 59 por cento e 67 por cento das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em comparação com os níveis registrados em 2005. A proposta também estabelece uma trajetória intermediária para 2030 e prevê que o país alcance neutralidade climática até 2050, compromisso alinhado ao Acordo de Paris.

Uma das apostas da estratégia está no setor de uso da terra. O governo projeta que a combinação de redução do desmatamento, conservação de áreas naturais e recuperação de florestas degradadas permita ao país retirar da atmosfera mais carbono do que emite nesse segmento até 2035.

A ministra Marina Silva afirmou que as medidas buscam reduzir emissões e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade de resposta do país aos efeitos da crise climática, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor.

Especialistas e organizações da sociedade civil ainda analisam os documentos completos da proposta, que incluem diversos planos setoriais e estratégias de adaptação. Avaliações preliminares apontam avanços na retomada de uma política climática abrangente, mas também destacam pontos que ainda exigem maior detalhamento, como metas mais definidas, fontes de financiamento e diretrizes para o setor de energia.

Analistas também observam que a implementação das medidas dependerá de cooperação entre diferentes níveis de governo e de investimentos significativos para garantir que as metas sejam efetivamente cumpridas ao longo da próxima década.