O volume de tributos pagos pelos brasileiros em 2026 deve alcançar a marca de R$ 1 trilhão nesta sexta-feira, segundo projeção da Associação Comercial de São Paulo. O número será atingido ainda no início da tarde, antecipando em alguns dias o mesmo patamar registrado no ano anterior.
O indicador é acompanhado em tempo real pelo Impostômetro, instalado no centro da capital paulista. Ele reúne impostos, taxas e contribuições recolhidos por governos federal, estaduais e municipais desde janeiro, incluindo encargos como multas e juros.
Em comparação com 2025, houve crescimento de quase 3% no mesmo período. No ano passado, o valor acumulado até esse momento girava em torno de R$ 972 bilhões. A antecipação da marca trilionária indica um ritmo mais acelerado de arrecadação.
Especialistas apontam que o avanço está ligado a uma combinação de fatores. A retomada da atividade econômica ampliou a base de incidência de tributos, enquanto a inflação elevou o valor arrecadado, já que muitos impostos são calculados sobre o consumo de bens e serviços.
Além disso, mudanças recentes na legislação também contribuíram para o aumento da receita. Entre elas estão novas regras para tributação de investimentos no exterior e fundos exclusivos, alterações sobre incentivos fiscais e a reintrodução de impostos sobre combustíveis. A regulamentação de apostas e ajustes na taxação sobre lucros corporativos também influenciaram o resultado.
Apesar do crescimento da arrecadação, o cenário das contas públicas segue sob pressão. Dados da plataforma Ga$to Brasil indicam que as despesas primárias do setor público já superam R$ 1,29 trilhão no mesmo período.
A diferença entre receitas e gastos levanta preocupações entre economistas. O desequilíbrio sugere que o país continua operando com déficit antes mesmo de considerar o pagamento de juros da dívida, o que reforça o debate sobre a necessidade de ajustes fiscais e revisão estrutural das contas públicas.
O alcance simbólico de R$ 1 trilhão será destacado pelo painel com uma breve interrupção na contagem, prática tradicional que marca esses marcos ao longo do ano. Enquanto isso, o acompanhamento em tempo real segue disponível ao público pela internet.