As contas externas brasileiras apresentaram melhora em fevereiro, indicando um cenário de ajuste gradual nas relações econômicas do país com o exterior. Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil mostram que o déficit em transações correntes somou US$ 5,6 bilhões no mês, resultado significativamente menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.
O movimento marca o terceiro mês consecutivo de redução do déficit externo, reforçando uma tendência de equilíbrio nas contas internacionais. Na prática, isso significa que a diferença entre o que o país paga e recebe do exterior diminuiu, sinalizando maior estabilidade no fluxo de comércio e investimentos.
Exportações em alta e importações em queda
Grande parte dessa melhora veio do desempenho da balança comercial. As exportações brasileiras atingiram níveis recordes para o mês de fevereiro, impulsionadas por diferentes setores da economia. Ao mesmo tempo, as importações recuaram, refletindo um ritmo mais moderado da atividade econômica interna.
Como resultado, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em fevereiro, revertendo o saldo negativo observado no mesmo mês de 2025. Esse desempenho contribuiu diretamente para a redução do déficit nas contas externas.
Além disso, a política monetária mais restritiva — marcada por juros elevados — também influenciou o cenário. Com crédito mais caro e consumo mais contido, a demanda por produtos importados tende a diminuir, o que ajuda a equilibrar as contas com o exterior.
Investimentos seguem sustentando o resultado
Mesmo com saldo negativo nas transações correntes, o país continua financiando esse resultado principalmente por meio de investimentos estrangeiros de longo prazo. Esse tipo de recurso, conhecido como investimento direto no país, é considerado o mais saudável para a economia, pois se destina ao setor produtivo e gera impacto estrutural.
Em fevereiro, esses investimentos somaram cerca de US$ 6,7 bilhões, enquanto, no acumulado de 12 meses, ultrapassaram US$ 75 bilhões. Segundo o Banco Central, esses números demonstram a capacidade do país de atrair capital externo e manter o financiamento das contas internacionais em níveis considerados seguros.
Outro indicador relevante foi o crescimento das reservas internacionais, que alcançaram US$ 371 bilhões, reforçando a proteção financeira do país diante de oscilações no cenário global.
Tendência de ajuste gradual
No acumulado de 12 meses até fevereiro, o déficit em transações correntes correspondeu a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB) — patamar inferior ao registrado um ano antes. Esse movimento indica uma trajetória de ajuste gradual nas contas externas brasileiras.
Embora o resultado ainda seja negativo, a sequência de reduções sugere maior equilíbrio entre exportações, importações e fluxo de capitais. Para analistas, esse cenário contribui para fortalecer a percepção de estabilidade econômica e reduzir riscos associados às contas internacionais.
Fonte: Agência Brasil