A arte de capturar momentos e narrar histórias através das lentes é um processo único e revelador. Para a fotógrafa Malu Mesquita, essa jornada se transformou em uma carreira de sucesso, marcada por projetos autorais e exposições ao redor do mundo. Com 11 anos de trajetória, Malu se consolidou como uma referência na fotografia
contemporânea, explorando temas urbanos e afetivos.
Sua última exposição em São Paulo celebrou seus 11 anos de carreira e reuniu uma série de convidados especiais na galeria ‘O Jardim’, espaço fundado por ela e pelo curador Renato Negrão, na Mooca. O centro cultural dedicado à fotografia contemporânea funciona de forma integrada como galeria de arte para exposições e vendas, biblioteca, laboratório analógico e editora bibliográfica, além de atuar como escola e ponto de encontro para debates e projetos coletivos, oferecendo aulas, workshops e cursos, ajudando a promover a cultura na Zona Leste e enaltecendo artistas locais. A próxima exposição, ‘Fotógrafos da Mooca’, com abertura prevista para 11/04, traz projetos que
dialogam com o bairro e dão protagonismo a artistas locais.
Conversamos com a artista para entender um pouco mais sobre sua carreira, fontes de inspiração e o que a motiva no seu dia a dia. Confira:
Malu, são 11 anos de carreira como fotógrafa. O que você considera ser o seu maior aprendizado nesse tempo de trajetória?
Ao longo dos anos percebi que a minha fotografia não se tratava só da técnica e nem só do equipamento, mas de sensibilidade, de enxergar aquilo que não é visto e que muitas vezes passa despercebido. Aprendi a confiar na minha intuição e também na prática da
fotografia; afinal, quanto mais fotografamos, mais aprendemos.
Toda produção fotográfica tem uma inspiração que a alimenta. Qual é a sua principal fonte de inspiração quando você está fotografando?
Minha principal inspiração vem das cidades e das relações que eu construo com elas. Caminhar pelas cidades sozinha e com a câmera na mão é minha forma de admirar aquelas paisagens; é poesia pura. Não vejo o dia passar e, quando percebo, já é noite. É assim que me sinto pertencente ao lugar.
Ao longo da sua trajetória, você transitou entre o digital e o analógico. Como essa escolha de linguagem impacta a forma como você constrói suas narrativas visuais?
Comecei no analógico, nos anos 90, mas quando retomei a fotografia, em 2014, o digital já era predominante. Ainda assim, o analógico nunca deixou de fazer parte de mim — na época da faculdade, cheguei a montar um laboratório no lavabo da minha casa (risos). Para mim, o analógico e o digital oferecem ritmos muito diferentes de criação, quase como se fossem duas linguagens distintas. O digital traz imediatismo, enquanto o analógico exige pausa, tempo e um certo desapego do controle. E é justamente essa diferença de processo que impacta diretamente a forma como construo minhas narrativas visuais.
Além da fotografia, o que você gosta de fazer no seu tempo livre? Quais são seus hobbies?
Adoro estar em casa com meus filhos, jantar e depois assistir a um filme ou série. São coisas simples, mas que valorizo muito. Também amo ir ao cinema e visitar exposições. E, sempre que possível, gosto de viajar; é algo que me alimenta criativamente e me tira do lugar comum.
O Jardim nasceu como um espaço físico e simbólico dedicado à fotografia contemporânea, localizado na Mooca. Que papel você acredita que iniciativas como essa desempenham no fortalecimento da cena cultural, especialmente fora dos grandes eixos tradicionais?
Meu sonho sempre foi abrir uma porta para o diálogo sobre arte, um espaço onde novas vozes e novos artistas pudessem encontrar abertura e visibilidade. Ao mesmo tempo, havia um desejo de contribuir para o enriquecimento cultural da região, levando mais acesso à arte e ao entretenimento. Acredito que iniciativas como ‘O Jardim’ têm umpapel fundamental nesse sentido, ao descentralizar a cena cultural e criar novos pontos de encontro, troca e formação de público fora dos eixos mais tradicionais.